TUDO O QUE VOCÊ SEMPRE QUIS SABER SOBRE SEXO (MAS TINHA MEDO DE PERGUNTAR) (Crítica)

Davi Gonçalves

FICHA TÉCNICA

Título Original: Everything You Always Wanted to Know about Sex… but Were Afraid to Ask
Ano do lançamento: 1972
Produção: EUA
Gênero: Comédia
Direção: Woody Allen
Roteiro: Woody Allen
Classificação etária: 16 Anos

Sinopse: 1º Segmento: Os Afrodisíacos Funcionam?
Europa medieval. Um bobo da corte (Woody Allen) pega uma poção preparada por um feiticeiro (Geoffrey Holder) e a entrega para a rainha (Lynn Redgrave).A poção funciona, só que os planos sexuais do bobo vão por água abaixo ao descobrir que ela usa um cinto de castidade.

2º Segmento: O que é Sodomia?
O dr. Ross (Gene Wilder) é um respeitado médico, que tem sua vida arruinada após se apaixonar pela ovelha de um de seus clientes.

3º Segmento: Por que Algumas Mulheres Têm Problemas com o Orgasmo?
Gina (Louise Lasser) é uma mulher aparentemente frígida, até que descobre que apenas consegue sentir prazer com o sexo quando ele é realizado em locais públicos.

4º Segmento: Os Travestis São Homossexuais?
Sam (Lou Jacobi) é um homem de meia idade, que esconde da esposa sua mania de vestir roupas de mulher.

5º Segmento: O Que São Perversões Sexuais?
O programa de TV “What’s My Perversion?, formado por um apresentador (Jack Barry) e quatro integrantes da bancada (Toni Holt, Robert Q. Lewis, Pamela Mason e Regis Philbin), tenta descobrir qual é a perversão do convidado.

6º Segmento: Os Experimentos e as Pesquisas Sobre Sexo Feitas pelos Cientistas Médicos São Válidos?
Um pesquisador (Woody Allen) e Helen (Lacy Heather), uma jornalista, vão até a casa do dr. Bernardo (John Carradine), que realiza experiências em seu próprio laboratório. Ao conhecerem as experiências sexuais por ele realizadas, o casal logo chega à conclusão que ele está louco.

7º Segmento: O Que Acontece Durante a Ejaculação?
O interior do corpo humano é apresentado como se fosse uma máquina, com pessoas no comando das funções. Quando um homem tem um encontro amoroso, todos aqueles que comandam seu organismo se preparam no intuito de que ele tenha uma relação sexual bem sucedida.

TUDO O QUE VOCE SEMPRE QUIS SABER SOBRE SEXO

O sexo ainda hoje é um tabu – mas é curioso como muitos nomes, ao longo da história, já tentaram desmitificar esse assunto. Talvez Tudo o Que Você Sempre Quis Saber Sobre Sexo (Mas Tinha Medo de Perguntar) não traga muita profundidade ao tema, até mesmo se levarmos em consideração que se trata de uma obra cômica (não que a comédia não possa ser um excelente veículo de comunicação). Entretanto, é interessante analisar a narrativa de um Woody Allen em início de carreira, trazendo às telas alguns elementos que seriam marca impressa de sua extensa, cultuada e controversa filmografia.

Tudo o Que Você Sempre Quis Saber Sobre Sexo (Mas Tinha Medo de Perguntar) é composto por sete esquetes, baseadas em seções do livro homônimo de David Reuben – e, definitivamente, é a tentativa de Allen de esclarecer supostas dúvidas do público em relação ao sexo (a julgar pelo título óbvio e pela estrutura narrativa). Cada “segmento” é iniciado com um questionamento e Allen utiliza-se de histórias distintas para responder cada um deles.

O que mais impressiona é o fato de que estamos diante de um filme do início dos anos 70. O que isso quer dizer? Bem, naquela época esta produção pode ter funcionado até que bem – mas, é claro, talvez hoje já não tenha tamanho impacto. No entanto, vale a pena acompanhar a habilidade de Allen em fundir o nonsense dentro do cotidiano para explorar de forma quase surreal o quão ridículo é a visão que o ser humano, ainda hoje, tem acerca do sexo. Assim, algumas sequências são irrepreensíveis, como o núcleo do médico que se apaixona por uma ovelha – até mesmo encarar o bom velhinho Woody Allen caracterizado como um espermatozoide é impagável. Tudo o Que Você Sempre Quis Saber Sobre Sexo (Mas Tinha Medo de Perguntar) é Woody Allen parodiando a tudo e a todos: Shakespeare, filmes antigos de terror, cinema italiano, programas de TV – mas principalmente a imbecilidade humana, daquele jeitinho que só ele sabe fazer. Só isso já faz com que o longa tenha seus créditos (e devido destaque) na obra alleniana.

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