Tully (Crítica)

Igor Pinheiro

O não atendimento de expectativas sociais por parte de pessoas que entram em alguma crise é o tema recorrente dos filmes da parceria de Diablo Cody e Jason Reitman. No sucesso Juno, temos uma adolescente (Ellen Page) enfrentando uma gravidez inesperada e todas as consequências de tal acontecimento ao seu redor. No menos badalado Jovens Adultos, uma escritora de livros adolescentes recém-divorciada (Charlize Theron) volta para sua cidade natal e tenta se relacionar com um antigo namorado, que agora está casado e tem filhos. Repetindo a parceria com a excelente Charlize Theron (Atômica), em Tully acompanhamos uma mãe de três filhos que contrata uma babá noturna para que possa dar conta da vida que leva.

Casada com homem não muito presente e vendo sempre a vida do irmão Craig (Mark Duplass) como superior, Marlo se vê diferente do que era quando jovem, grávida do terceiro filho e mãe de outros dois ainda pequenos, um deles com algum transtorno ainda não identificado. Por conselho de Craig, ela contrata Tully (Mackenzie Davis), uma babá noturna que acaba impactando a vida da família mais do que esperado. Marlo começa a tentar salvar seu casamento, ser uma mãe melhor e a aproveitar mais a si mesma.

Tully (Crítica)

Com pontos dramáticos delicados e de fácil identificação com o público, a força de Tully está em transformar esses momentos em cenas leves e tocantes, todas emendadas com uma dose de comédia, com aquele humor negro quase pesado que vimos nos longas anteriores de Cody e Reitman. A direção dele parece simples, mas suspensa o roteiro de Diablo de forma envolvente e mostrando o necessário para que possamos entender inúmeras coisas de cada personagem sem que precisem dizer algo, principalmente a protagonista.

Charlize Theron, aliás, prova mais uma vez sua versatilidade que não canso de elogiar. Ela convence sendo desde uma super-heroína em um longa repleto de ação até… Bem, até uma mãe de três filhos com um casamento ruim. Dividindo a tela com Mackenzie Davis (do episódio San Junipero, de Black Mirror), as duas apresentam a química perfeita para que a relação das personagens seja forte o suficiente para entendermos o que as motivam a seguir juntas pela história contada.

As cobranças do mundo de hoje e nossa “infelicidade” por não conseguirmos levar a vida perfeita que alguns parecem ter, nos levando para situações autodestrutivas e perigosas, são histórias que adotamos e nos emociona facilmente, principalmente quando tão bem contadas, como é o caso. Falando assim parece pesado, mas terminei o filme leve, emocionado e com um sorriso no rosto, com um sinal de esperança de que as coisas não são tão ruins quanto parecem e que sempre podemos melhorar. E é aqui que eu fico clichê e falo que a arte ainda pode mudar as pessoas, como diz McKee, e que o cinema é mágico. Poderia até dar uma nota menor por uma previsibilidade enorme do principal plot, mas não consigo. Quanto mais lembro, mais gosto do filme e fico emocionado.

Pôster de divulgação: Tully

Pôster de divulgação: Tully

SINOPSE

Marlo (Charlize Theron), mãe de três filhos, sendo um deles um recém-nascido, vive uma vida muito atarefada, e, certo dia, ganha de presente de seu irmão uma babá para cuidar das crianças durante a noite. Antes um pouco hesitante, Marlo acaba se surpreendendo com Tully (Mackenzie Davis).

DIREÇÃO

Jason Reitman  Jason Reitman

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Diablo Cody
Título Original: Tully
Gênero: Drama, Comédia
Duração: 1h 36min
Classificação etária: 14 Anos
Lançamento: 24 de maio de 2018 (Brasil)

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