UM BELO VERÃO (Crítica)

Davi Gonçalves

França, início da década de 70. O país está passando pela efervescência da liberação sexual e o movimento feminista, por sua vez, atinge seu ápice. Neste contexto histórico, a trama de A Bela Estação gira em torno de Delphine, uma camponesa que dedica sua vida aos serviços na fazenda de sua família no interior francês. Naquela região rural, a jovem mantém escondidos seus relacionamentos, já que não tem a liberdade de assumir sua sexualidade graças ao conservadorismo predominante naquele ambiente. Suas perspectivas mudam quando, em uma viagem a Paris, Delphine conhece um grupo de ativistas que lutam pela igualdade de direitos entre homens e mulheres. Vendo-se livre para ser quem realmente é, Delphine inicia um caso amoroso com Carole, uma mulher heterossexual, mais velha e casada, cuja personalidade influenciada por valores à frente de sua época acabam encantando a garota de costumes interioranos.

Fica evidente desde o início que o fascínio de Delphine não é necessariamente com o ativismo e sim com sua nova paixão. A relação entre elas, descompromissada inicialmente, se aprofunda com o tempo, especialmente quando Delphine é forçada a retornar ao campo para cuidar do pai com saúde debilitada. Carole, que não tem outra opção, decide acompanhar a amada, uma vez que o romance entre as duas já não é uma simples aventura. Delphine mostra força e maturidade ao liderar a fazenda, valorizando os ideais feministas pelos quais lutava na capital. Entretanto, a personagem é incapaz de conduzir sua relação com a companheira, limitando-a à clandestinidade – sobretudo por conta dos olhares desconfiados dos moradores locais e também da vigilância de sua mãe. Carole, que defende a liberdade acima de tudo, se sente incomodada com a situação e, claro, os conflitos são gerados a partir daí.

O ponto mais favorável do filme de Catherine Corsini, além de sua direção e da bela fotografia, é a atuação de suas atrizes. Existe, sim, uma química interessante entre Izïa Higelin e Cécile De France, evidenciado pela ótima construção das personagens – o que contribui para que o espectador abrace o drama dessas protagonistas e faz com que alguns problemas do longa sejam quase ignorados. No entanto, um deles chama a atenção e é a mudança do foco narrativo: a trama de caráter “social” é posta de lado em determinado momento, cedendo espaço apenas ao relacionamento entre as duas mulheres – e isso restringe A Bela Estação apenas a um romance convencional, desperdiçando sua premissa inicial que certamente traria um valor muito mais palpável à obra.

UM BELO VERAO

SINOPSE

Nos anos 1971, a França está atravessando a época da liberação sexual e o ápice do feminismo. Neste contexto, Delphine abandona a sua família no interior do país para descobrir a vida intensa em Paris. Chegando à capital, conhece Carole, que vive com o namorado Manuel. Delphine e Carole se aproximam e iniciam uma história de amor.

DIREÇÃO

[do action=”cast” descricao=”Catherine Corsini” espaco=”br”]Catherine Corsini[/do]

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Catherine Corsini e Laurette Polmanss
Título Original: La Belle Saison
Gênero: Drama, Romance
Duração: 1h 46min
Ano de lançamento: 2016
Classificação etária: 12 Anos
Lançamento: 7 de julho de 2016 (Brasil)

Comente pelo Facebook