UM BRINDE À VIDA (Crítica)

Kadu Silva

A amizade que cura feridas

Certamente você já ouviu a expressão que diz: “os amigos, são os membros da família que você escolheu”, e nada melhor que eles para nós ajudar a curar feridas que demoram a cicatriz. Seguindo essa máxima que o diretor Jean-Jacques Zilbermann (Aqui Entre Nós) supera os traumas do passado, brindando a vida.

No ano de 1960, três amigas sobreviventes dos horrores de Auschwitz, resolvem se reencontrar depois da guerra na praia em Berck-Plage, na França, para passar uma semana juntas e lá, relembrar o passado e tentar supera-lo, para então seguir em frente. E nesse encontro elas acabam, experimentando a primeira vez de vários prazeres da vida.

O roteiro de Jean-Jacques Zilbermann escolhe o humanismo pacato em seu texto, para colocar em discussão lembranças duras do passado, com um tom levemente cômico e ainda assim altamente questionador, já que esse formato acaba provocando para o público o exercício da imaginação, já que a cada novo momento entre elas, existe uma reflexão dos períodos que sofreram na guerra.

É um filme nada didático, Zilbermann utiliza de recursos técnicos e simbólicos para expressar sua história em uma leitura mais profunda, por exemplo, a iluminação tem um fator primordial para explicar a transformação das amigas, ele sugere que é necessário sair de trás das “trevas” para deixar a luz colocar energia, felicidade na vida. A praia é o símbolo da renovação, do recomeço, esses são alguns exemplos. No entanto essa grande sofisticação (técnica) pode não conseguir encontrar uma fácil identificação com o público. Algo que contrapõe isso, é os personagens centrais, que ai sim, tem uma fácil empatia com o espectador, as três amigas e o personagem de Benjamin Wangermee (House of Time), o jovem e “solar” Pierre, trazer em si uma simplicidade facilmente encontrada em nosso dia-a-dia.

Outra mensagem que o filme quer colocar em pauta é a necessidade de não deixar para depois o que se pode fazer agora, até porque tudo pode acontecer e tirar de você a paz, a felicidade e o amor, aproveite as oportunidades e seja feliz, ainda que a alma tenha feridas do passado.

Vale mencionar o perfeito tom das protagonistas Julie Depardieu (Eterno Amor), Johanna ter Steege (O Silêncio do Lago) e Suzanne Clément (Mommy), que parecem realmente amigas de longos anos, aproveitando as merecidas férias. A naturalidade, a doçura e o falar apenas com o olhar convencem a todos da ligação delas, é um trabalho brilhante!

A Fotografia incrível, a trilha sonora leve e doce, muito pertinente com a proposta e principalmente uma reconstituição de época deslumbrante em todos os mínimos detalhes são mais alguns predicados a favor dessa descompromissada produção francesa, que foi baseada em fatos reais das lembranças da mãe do diretor Zilbermann.

Um brinde à vida é uma comedia dramática para saborear e celebrar a amizade, que afinal ela pode ser para alguns o grande remédio das enfermidades da alma.

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SINOPSE

No ano de 1960, três mulheres, que anteriormente haviam sido deportadas para Auschwitz e que não tinham se visto desde a guerra, encontram-se em Berck-Plage. Nesta semana, o riso e a nostalgia se encontrarão com as lembranças de um passado cruel.

DIREÇÃO

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FICHA TÉCNICA

Roteiro: Jean-Jacques Zilbermann
Título Original: A la vie
Gênero: Comedia dramática
Duração: 1h 44min
Ano de lançamento: 2016
Classificação etária: 14 Anos
Lançamento: 12 de maio de 2016 (Brasil)

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