UM DIA PERFEITO (Crítica)

Kadu Silva

As consequências humanas de uma guerra

Curiosamente chega nos cinemas outro filme espanhol que não usa a língua original de sua pátria entre os personagens e também apresenta no elenco grandes nomes de Hollywood, mas assim como O Impossível de J.A. Bayona, esse Um dia Perfeito de Fernando León de Aranoa faz o uso de um outro idioma porque a proposta da história pedia isso, mas é evidente que grandes nomes no projeto, dá ao filme uma carreira internacional bem mais forte comercialmente.

A história é curiosa, ela apresenta um grupo de ajuda humanitária que está em Bálcãs para tentar ajudar a população local diante das consequências de uma guerra civil. O filme se inicia quando esse grupo tenta tirar de um poço um cadáver de um homem gordo, pois a demora na retirada, pode contaminar a água e assim prejudicar todos que dependem dela para o consumo, mas eles terão sérios problemas para conseguir uma corda e assim realizar essa “simples” tarefa.

O roteiro do também diretor Fernando León de Aranoa (Segunda-Feira ao Sol) se prende nos diálogos intensos e assim consegue criar tensão, medo e insegurança que são inerentes a um país que vive em guerra. Vale destacar também que o roteiro mesmo com vários personagens principais consegue desenvolver a personalidade de cada um muito bem.

Aranoa opta por fazer sua narrativa lenta, dando foco ao ser humano frágil diante dos atos dele mesmo. A ironia de mostrar que um país que está em guerra é um país no fundo do poço, se mostra genial ao longa da projeção e o melhor ainda é sua solução final para o arco dramático dessa difícil e ao mesmo tempo simples tarefa do grupo de ajuda humanitária, simplesmente espetacular.

Apesar do filme passar sempre a sensação de perigo que algo ruim pode acontecer a qualquer momento, a montagem do filme ironiza com uma trilha sonora que faz um contraponto ao que está sendo mostrado, para se ter uma noção, até uma canção de Marilyn Manson aparece durante o longa-metragem.

O elenco brilhante ajuda e muito na proposta de desenvolver o filme com base nos diálogos fortes e longos, mas Tim Robbins e Benicio Del Toro se destacam um pouco a mais nesse quesito, mas todo o elenco está ótimo em seus papeis, até o garoto Eldar Residovic que faz o morador local Nikola e acaba sendo uma espécie de facilitador para o grupo se apresenta muito bem mesmo contracenando com grandes nomes e conseguindo a mesma atenção da plateia.

Talvez o excesso de diálogos (entenda fundamentais para proposta do diretor) possa incomodar a alguns, mas se você embarcar na história e entender as ironias e metáforas ali presentes, o filme ganha relevância e acaba te envolvendo completamente.

Um dia Perfeito consegue mostrar como o ser humano é capaz de se mostrar tão desprezível e ao mesmo tempo tão fundamental para ele mesmo. E ainda fica uma mensagem sobre o poder da natureza, que sempre foi e será maior que qualquer ser humano.

APD_CARTEL__AF_pt-BR v4.indd

SINOPSE

Um grupo de ajuda humanitária mora há muito tempo numa região indefinida dos Bálcãs, em pleno período de guerra. Eles auxiliam o povo em suas tarefas cotidianas, enquanto funcionam de contato intermediário com as Nações Unidas. Um dia, o principal problema dos experientes Mambrú (Benicio Del Toro) e B (Tim Robbins) e da novata Sophie (Mélanie Thierry) é retirar com rapidez o cadáver jogado no único poço da cidade, para impedir que toda a água fique contaminada. Mas a situação é mais complexa do que aparenta: aos poucos, eles percebem que a retirada do corpo pode contrariar os interesses de muitas pessoas.

DIREÇÃO

[do action=”cast” descricao=”Fernando León de Aranoa” espaco=”br”]Fernando Leon de Aranoa[/do]

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Fernando León de Aranoa
Título Original: A Perfect Day
Gênero: Drama, Comedia
Duração: 1h 46min
Ano de lançamento: 2016
Classificação etária: 14 Anos
Lançamento: 21 de julho (Brasil)

Comente pelo Facebook