UM ESPIÃO E MEIO (Crítica)

Kadu Silva

Engraçado mas…

Cair no clichê é um “perigo” da maioria das comédias, até porque para se fazer rir, tente-se ao uso do exagero das ações e diálogos da maioria dos personagens, mas nesse Um espião e meio procura-se um caminho (diferente) para algo original, no entanto o resultado, deixa desejar.
Já no enredo busca-se sair do obvio ao compor a história de redenção dos protagonistas que apresentam trajetórias distintas. Um é o Bob (Dwayne Johnson) um aluno nerd que sofria na escola com bullying e na vida adulta se torna uma super agente da CIA, e o outro é Calvin (Kevin Hart) o mais popular e admirado aluno da escola que na vida adulta se torna um frustrado contador de uma grande empresa, ambos acabam se reencontrando e entrando numa trama policial ultrassecreta.

O roteiro do também diretor Rawson Marshall Thurber (Família do Bagulho), desenvolve bem os dois personagens principais, mas acaba por desperdiçar o potencial dos antagonistas, além disso, as diversas reviravoltas que surgem ao longa da trama não consegue empolgar para um filme de espionagem, elas acabam soando mais como forma de esticar o longa para o seu desfecho. Alguns propósitos do arco dramáticos são mal desenvolvidos, como por exemplo, a história que leva a dupla a se tornar agentes secretos. Ao seu favor, o roteiro consegue utilizar de assuntos em voga para compor os diálogos e disso criar situações cômicas.

Mas o filme não é uma comedia em sua totalidade, reserva seus momentos de drama (que é algo positivo) mas devido a isso, peca na escolha de Dwayne Johnson (Hércules) que não consegue atingir o nível dramático necessário para a personagem, já seu companheiro de cena Kevin Hart (Policial em Apuros), ainda que exagere dos “tiques” verbais consegue um equilíbrio mais interessante para seu papel, mas Johnson certamente foi escolhido pelo carisma e a presença cênica bem mais marcante que Hart.

Para quem tem um olhar um pouco mais treinado, vai notar que o filme tem vários erros de continuidade, alguns deles explícitos, por isso e outras escolhas (equivocadas), podemos dizer que a direção é burocrática, sem criatividade, Thurber apenas narra a história.

Podemos ainda destacar positivamente a trilha sonora empolgante, a montagem ágil e a cenas de ação bem coreografadas e junto a isso as cenas pós-créditos com os erros de gravação, são alguns minutos certos de riso fácil.

Um Espião e meio é um típico filme “Sessão da Tarde”, leve, divertido e familiar, mas para quem busca algo mais original pode se frustrar com o resultado.

UM ESPIAO E MEIO

SINOPSE

Flórida, 1985. Robert Mazur (Bryan Cranston) é um oficial da alfândega que recebe a missão de trabalhar infiltrado, com o objetivo de eliminar um cartel de drogas cuja origem está em Pablo Escobar, chefe do tráfico em Medellín. Para tanto ele recebe a ajuda de Emir Abreu (John Leguizamo), seu colega de trabalho, e se apresenta como alguém capaz de lavar o dinheiro gerado pelas drogas nos Estados Unidos. Usando o pseudônimo Robert Musella, ele aos poucos ascende na hierarquia do tráfico, contando ainda com a ajuda da agente Kathy Ertz (Diane Kruger), que se faz passar por sua noiva.

DIREÇÃO

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FICHA TÉCNICA

Roteiro: Rawson Marshall Thurber
Título Original: Central Intelligence
Gênero: Comedia
Duração: 1h 49min
Ano de lançamento: 2016
Classificação etária: 14 Anos

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