UM HOMEM, UMA MULHER (Crítica)

Davi Gonçalves

FICHA TÉCNICA

Título Original: Un Homme et une femme
Ano do lançamento: 1966
Produção: França
Gênero: Comédia dramática, Romance
Direção: Claude Lelouch
Roteiro: Claude Lelouch
Classificação etária: 16 Anos

Sinopse: Durante uma tarde de domingo, visitando seus filhos no colégio interno, o piloto de corridas Jean-Louis Duroc e Anne Gauthier se encontram. Assim continua nos próximos fins de semana, eles vão conhecendo um ao outro e logo descobrem que ambos são viúvos, perderam seus parceiros recentemente. Depois de uma grande amizade, eles começam um relacionamento, mas a memória dos amores perdidos ainda é muito forte.

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Anne Gauthier é uma roteirista de cinema que vive só com o filho, após a morte de seu marido em um brutal acidente. Já Jean-Louis Duroc é um piloto de corridas, ainda se recuperando do suicídio de sua esposa, que também lhe deixara uma filha. Os dois se conhecem casualmente em uma tarde de domingo, durante a visita semanal que fazem ao colégio interno em que suas crianças estudam. Como Anne perde o trem, Jean-Louis lhe oferece uma carona de volta a Paris. Os encontros semanais se sucedem e, aos poucos, a atração inicial entre os dois se transforma em amor.

O argumento de Um Homem, Uma Mulher não poderia ser mais simples. No entanto, o filme de Claude Lelouch é, sem dúvidas, uma das mais belas histórias de amor do cinema. Já declarei em inúmeras ocasiões ser um defensor da tese de “menos é mais” – e em Um Homem, Uma Mulher esta definição é muito bem exposta. A simplicidade da narrativa é transposta, inclusive, para o método: as profundas discussões filosóficas, existenciais e metafísicas tão comuns à época de seu lançamento (1966, período em que a nouvelle vague estava em alta) são trocadas por dramas de pessoas comuns. Suas angústias, sofrimentos e questionamentos são exprimidos na tela de forma que o expectador possa acompanha-los sem reservas (não à toa, Lelouch declarou que seu longa não tinha nada a ver com o movimento francês de então).

Um Homem, Uma Mulher ainda é considerado como a base daquilo que é o cinema de seu cineasta: para além das temáticas que tratavam as relações humanas (em especial, o relacionamento entre homem e mulher), podemos ainda observar o emprego de câmera móvel (na mão ou no ombro, em muitos casos), o uso recorrente de voz over e flashbacks e os diálogos improvisados, bem como a trilha musical marcante – aqui, Francis Lai é o responsável por um dos temas mais populares do cinema. Além disso, Lelouch utiliza as cores de forma cronológica, o que ajuda o público a se localizar no tempo: enquanto o colorido representa as lembranças de um passado recente (interrompido pela morte de seus respectivos cônjuges), o preto e branco pontuam o momento presente (pautado pelo recomeço e a busca pela felicidade). É através desta brincadeira com o “tempo narrativo” que o diretor vai revelando as memórias do casal de protagonistas.

Vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro e roteiro original em 1967, além do Palma de Ouro em Cannes no ano anterior, Um Homem, Uma Mulher ainda apresenta as atuações magnânimas de Anouk Aimée e Jean-Louis Trintignant. Anos mais tarde, Lelouch repetiria o par central na sequência Um Homem, Uma Mulher: 20 Anos Depois, não obtendo o sucesso do filme original. Mas isso não desqualifica Um Homem, Uma Mulher em nenhum aspecto. Assisti-lo ainda nos dias de hoje é uma experiência cinematográfica indescritível. Mesmo em sua simplicidade, esta produção francesa é rica em sua magnitude de sentimentos – o que por si só já lhe garante o status de obra-prima do cinema.

PRÊMIOS

OSCAR
Ganhou: Melhor Roteiro e Melhor Filme em Língua Estrangeira
Indicações: Melhor Direção e Melhor Atriz – Anouk Aimée

GLOBO DE OURO
Ganhou: Melhor Filme em Língua Estrangeira, Melhor em drama – Anouk Aimée
Indicações: Melhor Direção, Melhor Canção – A Man and a Woman e Melhor Trilha Sonora Original

BAFTA
Ganhou: Best Original Score
Indicações: Melhor Filme

FESTIVAL DE CANNES
Ganhou: Palma de Ouro

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1 Comentário

  1. Maria do Carmo

    EXCElENTE filme