UM SUBURBANO SORTUDO (Crítica)

UM SUBURBANO SORTUDO

2emeio

Por Elisabete Alexandre

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Há vinte anos atrás o filme icônico de Eddie Murphy (que você com certeza também conhece por “Um Tira da Pesada” e/ou outros) foi lançado, estou falando de “O Professor Aloprado”, filme que serviu para mostrar ao mundo que Eddie era capaz de criar vários personagens caricatos e extremamente estereotipados e não “apenas” isso, mas que também era capaz de interpretar todos eles. Pois bem, de lá para cá muitas mudanças ocorreram no que diz respeito às comédias vindas de Hollywood, posso dizer que houve um grande avanço, temos Wes Anderson, por exemplo, mas claro, nem tudo são flores (leia-se: vários filmes do Adam Sandler e Ben Stiller), de qualquer forma, a minha dúvida é: por que o gosto para comédias da grande maioria dos brasileiros continua o mesmo de 20 anos atrás?

A comparação com o filme de Murphy não foi por acaso, há uma cena em “Um Suburbano Sortudo”, filme de estreia de Rodrigo Sant’Anna (visto em De Pernas pro Ar 2 e Até que a Sorte nos Separe) como protagonista, que foi inspirada na famosa cena do jantar de família de “O Professor Aloprado”, na verdade, a cena é praticamente a mesma: o protagonista leva a namorada para jantar em casa com família, onde todos, com excessão da namorada, claro, são interpretados pelo mesmo ator, no caso de “O Professor Aloprado”, Eddie Murphy, e em “Um Suburbano Sortudo”, Rodrigo Sant’Anna. Tudo bem, esse tipo de coisa funcionou muito bem lá em 1996 e é sim algo notável até hoje o fato de uma mesma pessoa conseguir interpretar vários personagens tão diferentes numa mesma cena e ainda interagindo uns com os outros, mas estamos em 2015 e hoje já não é mais legal abusar de estereótipos para compor piadas que ninguém mais acha graça, ou quase ninguém, pois sei que ainda existem os de espírito de porco que riem desse tipo de coisa. Mesmo que Rodrigo diga que ele construiu o seu personagem, Denílson, com base na sua própria vida e por isso ele tem autoridade para falar dessa forma, ainda assim considero uma piada de mau gosto a construção do pobre da periferia/favelado, funkeiro, malandro e nada educado. E não falo apenas desse personagem quando me refiro à estereótipos: há também a velha metida a socialite que é capaz de matar pela herança do ex-marido; a velha burra, porém ainda “gostosa” (coloco entre aspas pois odeio esse termo), que amava o ex-marido, mas como é mulher, o dinheiro ainda fala mais alto na sua cabeça; a jovem loira e burra viciada em academia e “bomba” (idem); e por aí vai, não cabe aqui especificar cada um deles, não há motivos.

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Para não dizer que há somente pontos negativos e que eu odiei o filme por completo, vou falar de uma crítica que há nele e que eu a considerei bastante inteligente: a sátira com o gosto duvidoso da elite brasileira para com o que eles consideram “arte”. Na cena, uma festa onde apenas “pessoas de classe” (estou adorando usar aspas hoje) estão, temos o cara metido a cineasta-cult e até uma “cantora” (hehe) e o seu violão-culêlê, não vou entrar em detalhes à quem essa personagem se refere, pois desta forma iria estragar a única parte onde eu realmente ri durante todos os intermináveis 110 minutos de filme, mas digo que, de verdade, foi uma boa sacada. Todavia, uma única piada não salva um filme inteiro de comédia, não é mesmo? Como é a estreia do Rodrigo Sant’Anna como protagonista, espero que daqui para frente ele evolua dentro desse nicho ao qual pertence, e que essa evolução seja positiva.

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SINOPSE

Denílson (Rodrigo Sant’anna) é camelô e vive na periferia do Rio de Janeiro, até que um dia ele é levado por seguranças à uma mansão aonde descobre ser o único herdeiro de uma enorme fortuna deixada pelo pai que nunca conheceu. Um novo ambiente e estilo de vida também trouxeram novas pessoas, muitas delas querendo-o ver bem longe daquele mundo, mas para ajudá-lo a se adaptar ele vai contar com Sofie (Carol Castro), enteada de seu pai e pessoa por quem Denílson logo se apaixona.

DIREÇÃO

[do action=”cast” descricao=”Roberto Santucci” espaco=”br”]Roberto Santucci[/do]

FICHA TÉCNICA

Roteiro: L.G.Bayão, Paulo Cursino e Rodrigo Sant’Anna
Título Original: Um Suburbano Sortudo
Gênero: Comedia
Duração: 1h 50min
Ano de lançamento: 2016
Classificação etária: 14 anos
Lançamento: 11 de fevereiro de 2016 (Brasil)

TRAILER

ENTREVISTA COM RODRIGO SANT’ANNA

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3 Comentários

  1. mary

    O filme de humor sempre terá ideias de outros personagens vivido em outros filmes,mas a forma como Rodrigo interpreta só dele, com muita criatvidade. A vida de uma classe suburbana é isso mesmo , ele nenhum momento fez critica a essa classe, porque na hora de tirar a empresa da falência ele convocou as pessoas do seu nível social e mostrou que essas pessoas sabe se virar e dar volta por cima com muita simplicidade.Já no meio social mas elevado as pessoas não consequem se entender tão bem.Claro que um filme Americano com Eddie Murphy atrai também pela sua simplicidade , mas cada um com sua cultura, e aqui no Brasil com tantas diversidade dar um roteiro muito engraçado com pobre favelado, funqueiro,malandro, em fim o nosso Brasil é isso.Claro que bom ver um pouco disso porque muita gente nem sabe que rola em uma favela, e que muitas pessoas também são honestas e felizes onde mora.Parabéns Rodrigo pelo talento e inteligência de interpretar cinco papéis .Ah ainda consegui ligar um desses personagens com uma colega que comprou um cabelo louro comprido por 1000 reais igual a personagens do filme, morri de ri quando vi ….kkkkk