UMA DOBRA NO TEMPO (Crítica)

Kadu Silva

Totalmente fora de tom!

A Disney é conhecida por trazer frequentemente obras familiares para o cinema e isso não tem nenhum problema de ser, ainda mais porque tais produções em geral são as de maiores bilheterias ano após ano. O problema acontece quando essas produções surgem com uma estrutura brega e totalmente fora do tom, como é o caso de Um Dobra no Tempo, que segunda a diretora Ava DuVernay tem como público alvo a geração milênio, que dificilmente encontrará nessa obra uma forma se conectar com a mensagem proposta.

No filme os irmãos Meg (Storm Reid) e Charles (Deric McCabe) decidem reencontrar o pai, um cientista que trabalhava para o governo e está desaparecido desde que apresentou publicamente um misterioso projeto, para essa missão eles contarão com a ajuda do colega Calvin (Levi Miller) e três excêntricas mulheres em uma jornada lúdica por diferentes lugares do universo.

O roteiro de Jennifer Lee (Zootopia) baseado no livro homônimo, de Madeleine L’Engle é problemático, primeiro ele por utilizar do elemento fantástico na construção, esquece completamente a lógica narrativa, ou seja, diversas pontas são deixadas soltas, além disso, ao fazer uso da mensagem de autoajuda, acaba sendo ofensiva em alguns momentos. Mas certamente o mais problemático é criar um filme com um formato retro que não tem força (aparente) para atrair a quem quer atingir.

UMA DOBRA NO TEMPO (Crítica)

Ainda sobre o roteiro, vale ressaltar outras falhas como o démodé maquinismo (a luta do bem contra o mal), o excesso de diálogos autoexplicativos, que em terminados momentos acabam tirando totalmente a conexão com o desenvolvimento da trama, sem contar a confusão narrativa quem ora ou outra parece entrar em conflito com a mensagem.

Chega a ser curioso que a diretora Ava DuVernay (A 13ª Emenda) tenha aceitado realizar o filme que em determinado momento faz um discurso racista de forma velada, possivelmente o fato de ter uma protagonista negra/mulher e uma diversidade étnica no elenco tenha a atraído, mas ainda assim é não justificaria fechar os olhos para algumas escolhas, ou seja, ela foi apenas uma realizada, não deixou sua assinatura como possivelmente os fãs da sétima arte esperavam.

O que salva o filme é o visualmente de encher os olhos, os efeitos visuais apresentam um acabamento primoroso, algumas cenas são brilhantes, que chega a empolgar pela sequência que mistura encantamento e canções edificantes.

Mas é somente nisso que o filme acerta, nem o elenco consegue segurar a trama, ou porque estão abaixo do esperado ou porque a composição do personagem é completamente ruim ou mais do mesmo, infelizmente!

Um Dobra no Tempo é o típico produto de embalagem linda, mas de conteúdo que não condiz com a expectativa.

Pôster de divulgação: UMA DOBRA NO TEMPO

Pôster de divulgação: UMA DOBRA NO TEMPO

SINOPSE

Os irmãos Meg (Storm Reid) e Charles (Deric McCabe) decidem reencontrar o pai, um cientista que trabalha para o governo e está desaparecido desde que se envolveu em um misterioso projeto. Eles contarão com a ajuda do colega Calvin (Levi Miller) e de três excêntricas mulheres em uma ousada jornada por diferentes lugares do universo.

DIREÇÃO

[do action=”cast” descricao=”Ava DuVernay” espaco=”br”]Ava DuVernay[/do]

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Jennifer Lee
Título Original: A Wrinkle In Time
Gênero: Aventura, Fantasia
Duração: 1h 50min
Classificação etária: Livre
Lançamento: 29 de março de 2018 (Brasil)

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