UMA NOVA CHANCE PARA AMAR (Crítica)

Uma nova chance para amar

3emeio

Por Emílio Faustino

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Mais conhecido como o último filme do ator Robin Williams, vencedor do Oscar de melhor ator coadjuvante em (GÊNIO INDOMÁVEL), e que recentemente foi encontrado morto. “Uma nova chance para amar” é um romance que tem uma ideia realmente boa, porém, o roteiro feito em parceria entre Arie Posin e Matthew Mcduffie deixa a desejar ao construir uma trama fraca e pouco envolvente.

Imaginem vocês terem uma grande história de amor com alguém e este alguém um belo dia partir dessa pra melhor. Trágico, mas até ai nenhuma novidade, né? Agora imaginem depois de terem perdido este alguém, encontrar uma pessoa que é a cara daquela que você amava. Imaginou?

Resumindo bem, é em torno disso que o filme estrelado por Ed Harris (POLLOCK) e Annette Bening (MINHAS MÃES E MEUS PAIS) se desenrola. A trama começa com uma mulher devastada pela morte do marido e a história desse casal vai se revelando por meio de flash backs. Neles, podemos ver um casal feliz, com uma família digna de comercial de margarina.

O começo do filme é bem entediante, porém necessário. A história vai ficar interessante mesmo quando surge na tela os dizeres “5 anos depois”. Vemos então uma Nikki (Annette Bening) já recomposta, mas que dá claros sinais de que ainda não superou a morte do marido. A prova disso, é que continua visitando os mesmos lugares que frequentava com o marido enquanto ele ainda estava vivo, um ritual pra lá de fúnebre…

Um belo dia ela se depara com um sósia do seu marido, um cara fisicamente idêntico à pessoa que ela mais amou na vida. A principio ela acha que se trata de uma ilusão, mas depois a ficha dela cai e ela se dá conta que existe um cara igualzinho o marido que curiosamente frequenta o mesmo lugar que o falecido costumava frequentar.

Antes que achem que se trata da mesma pessoa, cabe a ressalva que foi ela mesma que o encontrou morto afogado a beira do mar, então a hipótese de ser o mesmo cara não existe, ok?

Prosseguindo… A primeira reação do público quando vê esta cena é: “Caramba! O que eu faria no lugar dela?”. E é justamente desse se colocar no lugar que o filme ganha a curiosidade do público.

Infelizmente a história que a princípio parece ser mega intrigante e potencialmente filosófica, cai em um senso comum de doer. Obviamente, depois da renuncia ela vai atrás do cara e da o seu jeitinho de coloca-lo na sua vida. Tomando sempre o cuidado de esconder o próprio passado, afinal, ela não quer que o cara ache que ela esta com ele só porque ele lembra o ex-marido dela.

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Bom… Até ai tudo bem, bacana, mas o filme peca por nadar apenas na superficialidade do tema… O cara não é apenas parecido, ele é idêntico ao falecido e em nenhum momento é questionada a possibilidade dele ser um irmão gêmeo perdido ou até mesmo um clone. Ela aceita que o cara é igual ao marido, como um cachorro aceita a comida.

Para ajudar, convenientemente o cara se apaixona por ela, uma mulher que a todo tempo tem atitudes confusas e que passa o filme inteiro trocando o nome do cara pelo do ex.

A história poderia ser um pouquinho mais complexa, se eles tivessem apresentando um personagem idêntico fisicamente, mas diferente no que se refere a atitudes e personalidade. No entanto, o cara não só tem a cara, como um jeito que praticamente não destoa do falecido. Qual a chance disso acontecer, tendo em vista que o cara teve uma origem totalmente diferente e outras vivências!?! (Darwin deve estar se contorcendo em seu túmulo).

Enfim… É claro, que em algum momento o passado dela é revelado, mas em nenhum momento se explora o lado do outro personagem. Até porque, vale lembrar que ela gosta dele por aquilo que ele a faz lembrar e não exatamente por aquilo que ele é. E o pior: ele descobre e aceita isso. Oi?!?!

Tão decepcionante como o desenrolar da história é o desfecho, mas esse eu não vou contar para vocês terem algum motivo para ver o filme nos cinemas. Para quem ficou curioso para saber qual é o papel do Robin Williams nessa história, ele faz o papel do amigo viúvo da personagem principal, um papel absolutamente inexpressivo para este que já nos saudou com tantas atuações marcantes.

Ainda sobre as atuações, infelizmente o excesso de plásticas no rosto de Annette Bening comprometeu bastante o seu desempenho, já Ed Harris desempenha bem o seu papel, que poderia ter sido ainda melhor se o sósia fosse mais diferente do original.

A trilha sonora do filme é agradável, composta majoritariamente por piano e violino, mas nada muito expressivo.

O filme em si não chega a ser de todo ruim, é aquele filme médio, que você vê e pensa: “poderia ter sido melhor”, mas vale como entretenimento. Uma última curiosidade deste filme é que o seu título original é “The face of Love”, ou seja, “A face do amor”, o título original justifica muito bem o final do filme, é uma pena que tenham mudado para esse título genérico.

O filme “Uma nova chance para amar”, dirigido por Arie Posin, estreia aqui no Brasil dia 18 de agosto. E sim, eles anteciparam a estreia para aproveitar a bilheteria advinda do calor da morte de Robin Williams, antes o filme só iria estrear dia 18 de setembro. (Pesado, né?)

Ahhh esse mundo capitalista…

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SINOPSE

Devastada pela morte do marido, Nikki (Annette Bening) é incentivada pelos filhos a dedicar-se à pintura, uma antiga paixão. Ela volta a frequentar museus, reencontra forças na arte e um dia conhece um homem extremamente parecido com seu companheiro falecido. Encantada e apaixonada, ela esconde do novo namorado a estranha coincidência.

DIREÇÃO

[do action=”cast” descricao=”Arie Posin” espaco=”br”]Arie Posin[/do]

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Arie Posin e Matthew McDuffie
Título Original: The Face of Love
Gênero: Drama, Romance
Duração: 1h 32min
Ano de lançamento: 2014
Classificação etária: 12 Anos

TRAILER

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