V DE VINGANÇA (Crítica)

V DE VINGANCA

4estrelas

FICHA TÉCNICA

Título Original: V for Vendetta
Ano do lançamento: 2005
Produção: EUA, Reino Unido, Alemanha
Gênero: Suspense
Direção: James McTeigue
Roteiro: Alan Moore, Andy Wachowski e Lana Wachowski

Sinopse: Em uma Inglaterra do futuro, onde está em vigor um regime totalitário, vive Evey Hammond (Natalie Portman). Ela é salva de uma situação de vida ou morte por um homem mascarado, conhecido apenas pelo codinome V (Hugo Weaving), que é extremamente carismático e habilidoso na arte do combate e da destruição. Ao convocar seus compatriotas a se rebelar contra a tirania e a opressão do governo inglês, V provoca uma verdadeira revolução. Enquanto Evey tenta saber mais sobre o passado de V, ela termina por descobrir quem é e seu papel no plano de seu salvador para trazer liberdade e justiça ao país.

Por Guilherme Pulga

HQs, Anarquismo e manifestações

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Já não é novidade que quando confirmam um filme adaptado de uma obra literária/HQs há certa relação de amor e ódio por parte dos fãs. Não é diferente com os quadrinhos do Alan Moore, uma vez que ele já teve adaptações do mundo do Watchmen, Hellblazer (Constantine) e V de Vingança para as telas do cinema. Apesar do autor nunca ter gostado de suas adaptações, não é de grande surpresa já que o termo “adaptação” procura sintetizar e pasteurizar um produto mais complexo para outra plataforma. Mas enfim, dentre os erros e acertos dessa situação, vamos ao V de Vingança…

Antes de tudo, a criação para a obra de Alan Moore surgiu na época em que Margaret Thatcher assumia o poder na Inglaterra com mão de ferro, o que fez com que ele criasse uma realidade futurista. Um regime fascista que assumia o poder na Inglaterra no ano de 2020. Também há referencias do protagonista V, que é baseado em Guy Fawkes, atuante na “Conspiração da Pólvora” que tentou explodir o parlamento inglês no século XVII. O que no final das contas só gerou em fracasso e acabou na morte do conspirador. É claro, apesar de V se vestir e planejar explodir o parlamento assim como Guy, eles tem motivações e crenças distintas que permeiam pela narrativa.

O que mais me intrigou na versão para cinema foi explorar o lado homossexual em determinados personagens de modo sutil. No filme, vemos que o personagem Gordon (Stephen Fry) que além de mudar bruscamente de um contraventor de bebidas passa a ser um apresentador de TV e com preferência sexual diferente. Gordon esconde sua condição de homossexual para não ser morto pelo regime.

Com o personagem V vemos que ele faz um altar para Valerie, com fotos de grandes divas do cinema. Também vemos essa característica na cena em que V faz um café da manhã para Evey, com direito a avental de florzinhas ao som de “Garota de Ipanema”. Outro ponto interessante é que durante as experiências feitas pelo governo fascista – no qual V foi cobaia – é sugerido que foram feitos com homossexuais e negros.

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Já na escalação do elenco, atores como Hugo Weaving, encarnando V, consegue dar vida a um personagem utópico. O que dá valor ao seu trabalho nesse filme é como Hugo se utiliza de suas entonações e eloquência, afinal não podemos depender de suas feições. Suas falas, assonâncias e sonoridade dão um traço peculiar ao personagem.

Dou destaque também para Natalie Portman no papel de Evey Hammond, que desenvolveu tanto o sotaque inglês quanto a personagem em si, seja num primeiro momento de pura inocência até as cenas de tortura das quais ela passa. Apesar de ser uma das minhas atrizes favoritas, em V de Vingança ela sofre por essa construção não poder tomar tal profundidade num filme estilo HQ.

Na direção temos o estreante James McTeigue que anteriormente foi assistente de direção de George Lucas e dos irmãos Wachowski, o que diz muito do visual de “Matrix” no filme, além de influências de “1984” de George Orwell e “O Conde de Monte Cristo”. No geral, temos uma direção boa, mas fraca de grandes invenções ou qualquer marca própria no filme, tanto que muitos confundem a direção dele com dos irmãos Wachowski.

Para os que esperam que V de Vingança seja um filme de super-herói estilo Homem-Aranha e afins com certeza irá se frustrar. V de Vingança se faz por seu poder simbólico, contexto histórico e profundidade, uma marca presente nas obras de Alan Moore. Não saberemos até que ponto V de Vingança entrará para a história da sétima arte, mas com certeza sabemos do seu impacto cultural nas manifestações ao redor do mundo com as máscaras de Guy Fawkes, não pela “Conspiração da Pólvora” em si, mas pelo personagem V e seu significado.

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TRAILER

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1 Comentário

  1. Juan Rossi

    Nossa! inicialmente nada esperava, cria ser mais um bom filme com a porter, mas qual o quê? do começo ao fim interessantíssima história de como ideias e revoluções podem acontecer apenas com passos valentes de algumas pessoas; pensaríamos em nosso che, ou luther king, ou kennedy e outros grandes em nossas mentes históricas! Muitíssimo bem realizada, a produção atinge a nós como flecha certeira no âmago de que liberdade é o que antes de tudo deveríamos saber ter e não largar mais. Quase um 10!!