VALERIAN E A CIDADE DOS MIL PLANETAS (Crítica)

Kadu Silva

Uma aventura mediana

Possivelmente você nunca ouviu falar do HQ “Valerian”, mas se trata de uma obra de mais de cinquenta anos, considera por muitos um clássico dos quadrinhos. Escrita pelos franceses Jean-Claude Mézières e Pierre Christin, esse HQ inspirou muitas produções literárias e até da sétima arte, como a famosa saga Star Wars, Avatar são alguns exemplos. Um dos seus maiores fãs é Luc Besson (O Quinto Elemento), que desde a sua infância era apaixonado pelos personagens e o universo de ficção cientifica de Valerian, e ele finalmente realiza um desejo antigo de dar vida para essa história fantástica.

A trama acontece no século XXVIII, aonde o agente viajante Valérian (Dane DeHaan) e sua companheira Laureline (Cara Delevingne) lutam para defender a terra e os planetas aliados de bandidos intergalácticos. Mas que parceiros de trabalhos eles são apaixonados um pelo outro e o grande sonho do casal é viver juntos num lugar paradisíaco, mas antes disso, eles terão que acabar com uma operação comandada por grandes forças que pode destruir milhões de vida.

Roteirizado pelo próprio Luc Besson, a trama acaba se limitando no arco romântico que envolve o casal protagonista, fato que nos quadrinhos não é algo tão relevante, as camadas mais interessantes como a espiritual nas entrelinhas da história, a mensagem de saber viver em harmonia com o diferente, a “fome” de poder, são assuntos pouco explorados na trama. Outro “problema” do roteiro é o inchaço de cenas desnecessárias para o avanço da história, todo o enredo poderia ser resolvido em uma hora e meia facilmente, mas é inegável como o roteiro de Besson consegue facilmente delimitar as principais características dos personagens, não é um filme de origem, ele não apresenta nenhum personagem e universo em detalhes, mas os bons diálogos conseguem colocar o espectador dentro da história sem ficar perdido com tantos elementos novos.

Apesar de saber rapidamente apresentar seus personagens dentro do roteiro, o elenco escolhido pelo diretor se mostra sem carisma, fato que dificulta a empatia com o público. Não conseguimos torcer pelo casal e muito menos para seus objetivos de salvar os planetas. Os coadjuvantes são pouco explorados, muitos deles, soam um desperdício de talento, como é o caso de Ethan Hawke (Antes do Pôr-do-Sol) que faz uma ponta quase sem importância.

A Rihanna que possivelmente deve ser o grande chamariz, aparece bem pouco, mas tem uma bela cena de dança cheia de efeitos visuais, a segunda mais impactante do filme, só perde para a cena de abertura, que é simplesmente hipnotizante e que tem uma trilha sonora magnifica.

Por falar nos efeitos visuais, eles são impressionantes, muito bem realizados. Grande parte do filme foi realizado na pré-produção, já que quase tudo é CGI, e ainda sim, o resultado é orgânico e de encher os olhos, isso deixou o filme um dos mais caros já realizados. Ainda sobre os efeitos, o filme foi filmado para ser assistido numa sala 4D, com efeitos reais, se acaso tiver a oportunidade é uma boa escolha ter essa experiência.

Em sua passagem pelo Brasil Besson, revelou que esse é apenas o primeiro de uma série de filmes que a franquia pode criar, e de fato é possível notar isso, já que o universo é enorme e rico de trama paralelas, umas mais interessantes que as outras.

Valerian e a cidade de mil planetas é uma obra que apresenta de forma descente ao grande público esse universo rico e cheio de histórias para serem contadas.

Pôster de divulgação: VALERIAN E A CIDADE DOS MIL PLANETAS

Pôster de divulgação: VALERIAN E A CIDADE DOS MIL PLANETAS

SINOPSE

Século XXVIII. Valérian (Dane DeHaan) é um agente viajante do tempo e do espaço que luta ao lado da parceira Laureline (Cara Delevingne), por quem é apaixonado, em defesa da Terra e seus planetas aliados, continuamente atacados por bandidos intergaláticos. Quando chegam no planeta Alpha, eles precisarão acabar com uma operação comandada por grandes forças que deseja destruir os sonhos e as vidas dos dezessete milhões de habitantes do planeta.

DIREÇÃO

  • Luc Besson

  • FICHA TÉCNICA

    Roteiro: Luc Besson
    Título Original: Valerian and the City of a Thousand Planets
    Gênero: Ficção científica, Aventura, Ação
    Duração: 2h 18min
    Classificação etária: 12 anos
    Lançamento: 10 de agosto de 2017 (Brasil)

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