VELOZES & FURIOSOS 8 (Crítica)

Igor Pinheiro

Você provavelmente já ouviu o ditado “não se mexe em time que tá ganhando”, certo? E, se por um lado possa ser uma frase que expressa comodidade e até preguiça de mudar, por outro mostra que “mais do mesmo” nem sempre é ruim, principalmente se você não tem grandes intenções de fazer algo diferente. Velozes e Furiosos 8 é mais do mesmo, e isso não é ruim, o único questionamento que fica é a necessidade de desperdiçar conteúdo e dinheiro com uma produção que não oferece nada realmente inovador. Mas como franquia de ação e entretenimento, o longa cumpre seu papel.

O filme começa em Cuba, onde Dom (Vin Diesel) e Letty (Michelle Rodriguez) têm sua lua-de-mel interrompida por confusões com um corredor de Havana que se envolve em uma briga com um primo do protagonista, mas isso só serve para a boa, divertira e irreal (mas essa é a graça) sequência inicial do longa, que não demora a desenvolver o resto de sua história. Dom conhece Cipher (Charlize Theron), que o recruta para uma missão perigosa através de uma chantagem, o convencendo a trair seus amigos e seguir o caminho que os acaba colocando como inimigos durante o que segue.

Como roteiro de ação, a história não demora a se desenvolver e tudo acontece muito rápido no começo (quase causando confusão) para que as longas e elaboradas sequências de perseguições, tiros, lutas e explosões tomem conta de todo o longa. De uma divertida fuga da prisão, passando por uma chuva de carros em Nova York e terminando em uma insana perseguição envolvendo um submarino nuclear (sim, eu sei) em um deserto de gelo russo, a direção de F. Gary Gray (Staight Outta Compton: A História do N.W.A., Uma Saída de Mestre) faz uma ação envolvente, com movimentos de câmera acompanhando as acrobacias de carros e corpos que dançam pela tela. Todas as cenas de ação, aliás, contam com um bom ponto de virada da narrativa, tornando-as não só divertidas, mas relevantes para a trama.

Muitos costumam tornar menores os erros de certos filmes por serem de ação e puro entretenimento, mas acredito que isso não possa ser usado como justificativa. O maior erro de Velozes e Furiosos 8 é quando começam a se levar a sério demais e desenvolver os personagens. Apesar de boas cenas envolvendo o relacionamento de Dom e Cipher, algumas situações parecem exageradas e clichês. O aprofundamento fraco de alguns membros da equipe acaba sendo desnecessário, se desencadeando em cenas bobas de comédia. Letty parece ser a personagem mais bem construída e com motivações, mas é deixada de lado sempre que chega a hora de Vin Diesel, Dwayne Johnson e Jason Statham brilharem, seja brigando com alguém ou funcionando como o alívio cômico do filme (principalmente os dois últimos).

Além da rápida participação da ótima Helen Mirren, o maior destaque feminino do filme é a vilã vivida por Charlize Theron, que rouba a cena quando aparece, mas tem motivações não tão embasadas, tendo em vista que nunca realmente conhecemos seu passado, apesar de ter um sombrio plano revelado entre os segundo e terceiro atos.

Com as cenas mais surreais de ação, bizarramente misturadas com um humor negro pastelão (ainda não tenho opinião formada sobre a cena em que Deckard (Statham) briga com todos em um avião ao mesmo tempo em que precisa proteger um bebê), o terceiro ato é inteligente e preciso ao encerrar bem a história que se desenvolve ao longo do roteiro, mas deixando brechas para que algo possa ser feito no futuro, e um próximo filme provavelmente irá acontecer.

Sem vergonha de ser o que é, o que pode ser muito difícil no cinema, e com referências sutis aos longas anteriores, que não dificultam a experiência de assistir para um novo espectador, Velozes e Furiosos 8 é um prato cheio para os fãs de filmes de ação, especialmente da própria franquia, que ainda consegue divertir e entreter, sem querer muito mais que isso, apesar de todas as dificuldades.

Pôster de divulgação: VELOZES & FURIOSOS 8

Pôster de divulgação: VELOZES & FURIOSOS 8

SINOPSE

Dom (Vin Diesel) e Letty (Michelle Rodriguez) estão curtindo a lua de mel em Havana, mas a súbita aparição de Cipher (Charlize Theron) atrapalha os planos do casal. Ela logo arma um plano para chantagear Dom, de forma que ele traia seus amigos e passe a ajudá-la a obter ogivas nucleares. Tal situação faz com Letty reúna os velhos amigos, que agora precisam enfrentar Cipher e, consequentemente, Dom.

DIREÇÃO

  • F. Gary Gray F. Gary Gray

  • FICHA TÉCNICA

    Roteiro: Chris Morgan
    Título Original: The Fate of the Furious
    Gênero: Ação, Suspense
    Duração: 2h 16min
    Classificação etária: 12 anos
    Lançamento: 13 de abril de 2017 (Brasil)

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