VELUDO AZUL (Crítica)

VELUDO AZUL

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FICHA TÉCNICA

Título Original: Blue Velvet
Ano do lançamento: 1986
Produção: EUA
Gênero: Drama, Suspense
Direção: David Lynch
Roteiro: David Lynch
Classificação etária: 16 Anos

Sinopse: Jeffrey Beaumont (Kyle MacLachlan), um rapaz simplório que acaba de voltar à cidade, envolve-se em uma perigosa investigação sobre os negócios de um traficante de drogas (Dennis Hopper) que mantém uma sádica relação com a bela cantora de cabaré Dorothy Vallens (Isabella Rossellini).

Por Pedro Vieira

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Falar sobre um filme de David Lynch é adentrar em um universo subjetivo com fortes demarcações estéticas, histórias intrigantes e personagens imprevisíveis. Na filmografia do diretor, “Veludo Azul” (Blue Velvet de 1986) possui um lugar especial por ser o filme que consolidou o estilo autoral de Lynch, que antes disso já havia deixado sua marca em longas como “O Homem Elefante” de 1980.

O roteiro escrito pelo próprio Lynch toma como plano de fundo a aparentemente pacífica cidade de Lumberton. Belas plantações de flores contra o céu azul, um caminhão de bombeiro com um homem acenando para o espectador e crianças andando em fila pela faixa de pedestre são os primeiros planos que Lynch mostra desse cenário. É tudo tão perfeito que chega ser fantasioso – algo que o diretor faz de forma proposital, para criticar o idealizado e falso “estilo de vida americano”.

A perfeita cidade será palco de uma perigosa trama de suspense. Enquanto volta para casa após visitar o pai no hospital, o jovem Jeffrey (Kyle MacLachlan) encontra uma orelha humana caída no chão. Após levar a orelha para a polícia, dominado pela curiosidade, Jeffrey começa a investigar o caso por si próprio com a ajuda da filha de um policial. Suas investigações o levam a se encontrar com bela e misteriosa cantora Dorothy Vallens (Isabella Rossellini) que possui fortes ligações com um criminoso local.

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Sem receio de se envolver com diversos gêneros, Lynch aqui cria uma história com descendência noir (Jeffrey é como um detetive que no meio de um mistério se vê envolvido com a femme fatale encarnada por Dorothy) unida ao surrealismo evocado pelo subjetivo. Neste mundo de Lynch, os personagens deixam seus maiores desejos e loucuras se sobreporem sobre a razão, o que gera situações únicas.

Metáforas e simbolismos permeiam todo o longa – assim como em outros filmes do diretor. O próprio nome do filme em inglês, unido à personagem de Dorothy, possui seu significado oculto. “Blue Velvet” é o nome de uma canção de Bobby Vinton, que chega a tocar várias vezes durante o longa. A canção fala de uma mulher de veludo azul, que no filme seria encarnada por Dorothy. O veludo azul traz conforto e desejo, o mesmo desejo que o vilão da história tem por Dorothy, mas também traz tristezas, e são essas tristezas que tomam conta da vida de Dorothy no período de tempo em que o filme se passa. Isto torna Dorothy uma das personagens mais interessantes do longa.

Uma pena o filme ficar preso a um protagonista sem carisma e desinteressante como Jeffrey. Por mais que o filme possa ser visto como uma visão subjetiva de Jeffrey, o personagem chega a ser muito “normal”, heroico e até mesmo racional, destoando de todo esse universo surreal. Não por acaso os personagens coadjuvantes são os mais cativantes, em especial o vilão psicótico Frank vivido por Dennis Hopper, que rouba todas as cenas em que aparece com sua atuação alucinada. Vale destacar também a bela Laura Dern, que possui seus bons momentos da pele da amorosa colegial Sandy.

Graças a todas as características autorais que Lynch consegue expressar em “Veludo Azul”, o filme se torna peça essencial para se entender esse maravilhoso quebra-cabeça que é a filmografia do diretor e sua obra surreal.

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PRÊMIOS

OSCAR
Indicação: Melhor Direção

GLOBO DE OURO
Indicações: Melhor Roteiro e Melhor Ator Coadjuvante – Dennis Hopper

INDEPENDENT SPIRIT AWARDS
Ganhou: Melhor Atriz – Isabella Rossellini

Indicações: Melhor Direção, Melhor Fotografia, Melhor Atriz – Laura Dern, Melhor Ator – Dennis Hopper, Melhor Roteiro e Melhor Filme

TRAILER

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1 Comentário

  1. sa

    bom filme