VENTRE (Crítica)

Davi Gonçalves

FICHA TÉCNICA

Título Original: Womb
Ano do lançamento: 2011
Produção: Alemanha
Gênero: Drama
Direção: Benedek Fliegauf
Roteiro: Benedek Fliegauf
Classificação etária: 14 Anos

Sinopse: Rebecca (Eva Green) é uma mulher que esperou por doze longos anos para se relacionar com uma paixão de infância. Mas por sua causa, ele morre num acidente de trânsito. Porém, agora, ela pode tê-lo de volta…

VENTRE

Ventre, drama alemão do diretor Benedek Fliegauf, sob certo aspecto propõe a discussão de dois temas polêmicos: a engenharia genética e o incesto. Na trama, Eva Green é Rebecca, uma moça que esperou por doze longos anos sua grande paixão de infância, Thomas (Matt Smith). Quando finalmente o reencontra, o jovem morre fatalmente em um acidente de trânsito. Desconsolada, Rebecca decide fazer uma fertilização artificial com o DNA de Thomas, gerando um clone do falecido. O tempo passa e a cada dia Rebecca sente mais dificuldade para esconder a verdade do filho, além de conviver constantemente com o desejo de consumar seu amor por Thomas.

Amparado por uma bela fotografia em cores frias (predominantemente em tons azulados, acentuando toda a melancolia da fita), Ventre é um filme contemplativo. Esteticamente, tudo é muito bem articulado: os planos são cuidadosamente captados, dos panorâmicos aos mais fechados (estes últimos exprimindo com perfeição as dúvidas de suas personagens). A produção ainda conta com um ótimo trabalho de som, da edição e mixagem à trilha sonora minimalista. Além disso, o casal de protagonistas demonstra muito empenho, com destaque para Green, em um tipo perturbado que já lhe é bastante comum. No auge de sua beleza, a atriz é excessivamente atraente e faz de sua Rebecca uma mulher visivelmente dividida – fato que lhe é reforçado especialmente a partir da segunda metade do longa.

Mas principalmente, Ventre é silencioso. A ausência de diálogos predomina durante a fita, sendo estes substituídos pelos olhares angustiados (e a troca deles, claro) de seus personagens. Um clima de incerteza fica evidente durante toda a narrativa, uma tensão abrupta se instaura a todo momento – como se algo estivesse prestes a acontecer e nunca, de fato, acontece. O espectador fica nesta aflição até o desfecho da história, que ocorre sem um clímax devido, como se apenas para “compensar” o público (ou choca-lo, como alguns podem alegar). Para além disso, os debates propostos ficam à beira da superficialidade e nunca são aprofundados. Ventre é um filme para poucos: esteticamente belo por um lado, pelo outro infelizmente lhe faltou ousadia e é isso que o impede de ser um cinema memorável.

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