VÍCIO INERENTE (Crítica)

VICIO INERENTE

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Por Carlos Pedroso

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Vício Inerente é o melhor momento da carreira do Paul Thomas Anderson, e não só porque ele é um reminiscente do Altman dos anos 70, ou um dos mais subversivos neo-noirs que poderiam ser feitos. Do contrário, o que torna esse universo algo tão fascinante é justamente a engenhosidade com a qual elementos cinéfilos tão verossímeis quanto alucinados contrapõem-se sobre a base de uma adaptação de Thomas Pynchon e os anos 70 em si. Num arco milimetricamente controlado e condensado pela nostalgia, que toma formas ainda mais enigmáticas do que em O Mestre, há algo na imagem desproporcional de Anderson que beira o singelo (e a relação dicotômica entre Phoenix e Brolin em contraste a feminilidade em suposto segundo plano é apenas o epicentro dessa idealização).

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Basicamente um aperfeiçoamento narrativo do que o David O. Russell tentou fazer em Trapaça, o que me é mais curioso nesse exercício de autoconsciência e diluição de elementos sub expostos da imagem é em como Anderson consegue obter um desenvolvimento completamente espontâneo, graças unicamente a sua capacidade de captar a desenvoltura do elenco em seu cume de exploração performática, transformando praticamente todo o processo narrativo num registro documental subentendido à capacidade dramática de seu texto. Isso se dá, excepcionalmente, porque Anderson possui uma visão muito bem equilibrada da misé en scène (estética, trilha sonora, elenco, referências, etc.); e tal liberdade autoral, também, concebe à personificação de Joaquin Phoenix, p. ex., o tom irreverente que o mesmo pede, sem em nenhum momento haver a necessidade latente de desmistificação ou desconstrução de sua representatividade, como ocorre com os personagens de Boogie Nights em seu segundo ato.

Tampouco fosse a magnificência do roteiro em conduzir um estudo dos mais sólidos sobre a paranoia e psicodelia dos anos 70 baseada totalmente no banal, Anderson ainda acha tempo para ser antológico e um delicioso comediante, inserindo gags desde uma sequência de Josh Brolin chupando um picolé de chocolate (!) até uma santa ceia (hippie) com pizzas (!). Se existe um momento para a exaltação da cinematografia do cara, esse momento é indiscutivelmente com Vício Inerente.

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SINOPSE

O novo longa dirigido por Paul Thomas Anderson conta a história de um detetive particular que investiga o sequestro de um bilionário latifundiário. Joaquin Phoenix interpreta o protagonista da história, papel que quase foi de Robert Downey Jr. Adaptação de livro homônimo de Thomas Pynchon.

DIREÇÃO

[do action=”cast” descricao=”Paul Thomas Anderson” espaco=”br”]Paul Thomas Anderson[/do]

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Paul Thomas Anderson
Título Original: Inherent Vice
Gênero: Comédia, Drama
Duração: 2h 29min
Ano de lançamento: 2015
Classificação etária: 18 Anos

TRAILER

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