VICTORIA (Crítica)

VICTORIA

4emeio

Por Kadu Silva

Sobra técnica e falta enredo

VICTORIA01

Não é a primeira vez que um filme trouxe a surpreendente técnica de apresentar toda a narrativa sem corte, num gigante plano sequência. Arca Russa de Alexandr Sukurov foi o primeiro filme, reconhecido por alcançar tal feito. Alfred Hitchcock já tinha feito um parcialmente assim, só não conseguiu pelos limitados recursos da época, em Festim Diabólico, mas para quem não conhece de técnica cinematográfica, ao filme de Hitchcock acredita ser um plano sequência sem corte. Alejandro González Iñárritu também “engana” bem o público com o prestigiado Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância). No entanto o cineasta alemão Sebastian Schipper supera qualquer um com o seu longa Victoria com mais de duas horas em plano sequência ininterruptas.

A história é bem simples, Victoria (Laia Costa) é uma espanhola, que está a pouco tempo vivendo em Berlim, Alemanha, e após sair de um clube noturno, conhece Sonne (Frederick Lau), que está também saindo do local com seus amigos. Rapidamente eles ganham uma intimidade e saem pelas ruas de Berlim bebendo e se divertindo. Após algum tempo Victoria se despede dos garotos e vai para seu local de trabalho junto com Sonne, e lá se inicia um romance entre eles, só que o romance é interrompido quando o grupo é forçado a pagar uma antiga dívida de um dos rapazes, transformando a noite deles em um verdadeiro pesadelo.

O roteiro é do também diretor Sebastian Schipper, que se não tivesse a técnica de plano sequência passaria de forma banal pelo circuito de lançamentos, já que a trama é de uma garota ingênua, que acaba sendo levada por más influências a viver terríveis experiências, sem grandes surpresas, pelo contrário o desenrolar da ação é até certo ponto bem previsível.

VICTORIA03

O grande problema do roteiro não é sua simplicidade no arco dramático e sim a postura quase inimaginável de Victoria, que aceita todas as propostas desses rapazes sem questionar nada, é uma verdadeira panaca. Por mais que Laia Costa se esforce para transmitir essa postura quase angelical a Victoria é difícil comprar a ideia dessa passividade da garota que é levada a fazer tais atitudes como se não tivesse um mínimo de intelecto para dizer o que é certo ou errado.

Mas vamos ao que faz do filme algo que merece sua atenção, Schipper, realmente realiza uma direção deslumbrante no filme, o ritmo em que as cenas se desenrolam são impressionantes, como se fosse uma câmera escondida gravando um grupo de pessoas durante uma noite. O diretor conseguiu um feito que em pouquíssimos momentos notamos a presença da câmera. E o mais impressionante, no filme tem passeio de bicicleta, corrida de carro, perseguição com tiroteio, e outras cenas difíceis, mas tudo parece acontecer de forma natural ao espectador.

Outro grande mérito do diretor é conseguir do segundo ato em diante imprimir uma tensão impressionante na narrativa. A todo o momento ficamos com a sensação de que algo pode acontecer de errado com aqueles rapazes e a percepção do medo no ar, só aumenta a cada minuto.

A fotografia naturalista e as pontuais inserções da ótima trilha sonora só transformam a produção em algo ainda mais notável. Logicamente ajudado pelo ótimo elenco que conseguiu atuar brilhantemente em mais de duas horas sem cortes, sem, em nenhum momento parecer que ensaiaram o que acompanhamos na telona.

Victoria merece muito a sua atenção por apresentar algo diferente e de difícil execução (é uma verdadeira aula de como conduzir uma trama), o único problema é que não se pode esperar muito de seu conteúdo dramático.

VICTORIA02

SINOPSE

Em um clube, Victoria (Laia Costa) conhece Sonne (Frederick Lau), que está no local com seus amigos, e, rapidamente, há uma forte conexão entre eles. Mas o ínicio do romance é interrompido quando o grupo de jovens é forçado a pagar uma antiga dívida. Victoria, impulsivamente, decide ajudá-los e entra no jogo como uma motorista. Mas o que começou como uma louca aventura pode se tornar um pesadelo.

DIREÇÃO

[do action=”cast” descricao=”Sebastian Schipper” espaco=”br”]Sebastian Schipper[/do]

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Sebastian Schipper
Título Original: Victoria
Gênero: Suspense, Drama
Duração: 2h 14min
Ano de lançamento: 2015
Classificação etária: 16 anos
Lançamento: 24 de dezembro de 2015 (Brasil)

TRAILER

Comente pelo Facebook