Vida Selvagem (Crítica)

Kadu Silva

Realismo cortante!

Diversos filmes norte-americanos têm como arco central a desconstrução do chamado “sonho americano”, já que esse lugar perfeito, para quem vive lá é em geral bem diferente do vendido mundo a fora. A nova obra que faz esse exercício é o “cortante” Vida Selvagem. O filme é baseado no livro homônimo de Richard Ford e nos coloca na intimidade de uma família que vista de longe parece um retrato de perfeição, mas quando a lente dá um zoom…

No filme o jovem Joe (Ed Oxenbould) de apenas 14 anos vê sua família se desestruturar quando seu pai, Jerry (Jake Gyllenhaal) perde o emprego e mesmo assim exigindo que sua esposa Jeanette (Carey Mulligan) não trabalhe. O conflito entre eles ganha força até que Jerry resolve passar um longo período longe para trabalhar de forma autônoma apagando incêndios, nesse momento Jeanette tenta refazer sua vida com um novo trabalho e até com um novo companheiro, mas para Joe, a única coisa que importa é ver seus pais unidos novamente.

Vida Selvagem (Crítica)

O roteiro do estreante diretor Paul Dano tem grandes acertos e alguns problemas pontuais. Ele acerta em narrar essa história de forma lenta e contemplativa para que cada momento seja absorvido pelo espectador, sem pressa, e se utiliza muito bem do texto do livro para que o discurso/dialogo dos personagens ganha potência nas interpretações do elenco, no entanto, a falta de um olhar externo para aquela família acaba deixando alguns conflitos pouco expressivos dentro da história.

Por falar em elenco é muito interessante a escolha de Paul Dano que é ator, trazer o casal Carey Mulligan (Longe Deste Insensato Mundo) e Jake Gyllenhaal (O Segredo de Brokeback Mountain) para o filme, já que ambos estão vivendo personagens completamente distintos de suas filmografias. Dano tira seus colegas da zona conforto e assim exige uma entrega ainda mais acentuada deles, que felizmente brilham nos papeis. Já o jovem ator Ed Oxenbould (A Visita) não consegue o mesmo resultado, falta o timing para encontrar as nuances dramáticas para viver o personagem, assim, ele acaba comprometendo o envolvimento do espectador com a trama (infelizmente), já que a história acontece pela sua ótica.

Outro grande acerto de Dano é na estética do filme, as cores frias e tristes, os cenários vazios e deteriorados reforçam a mensagem melancólica da trama, o mesmo acontece com a analogia dos símbolos utilizados por ele para compor sua narrativa, definitivamente é uma estreia na direção muito acima da média!

Vida Selvagem não é um filme de fácil, mas sua conclusão é de fazer seu coração “explodir” de tristeza.

Pôster de divulgação: Vida Selvagem

Pôster de divulgação: Vida Selvagem

SINOPSE

Aos 14 anos de idade, Joe (Ed Oxenbould) começa a perceber que sua família está desmoronando. O pai, Jerry (Jake Gyllenhaal), acaba de perder o emprego, mas não quer que a esposa trabalhe. A mãe, Jeanette (Carey Mulligan), não pretende ficar de braços cruzados diante da crise e começa a ganhar sua autonomia. Quando Jerry decide ficar muitos meses fora de casa, num trabalho temporário apagando incêndios pela região, Jeanette decide que é hora de refazer a sua vida. Mas para Joe, a única coisa que importa é ver os pais reunidos novamente.

DIREÇÃO

Paul Dano Paul Dano

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Paul Dano
Título Original: Wildlife
Gênero: Drama
Duração: 1h 45min
Classificação etária: 14 anos
Lançamento: em breve (Brasil)

Comente pelo Facebook