VIDAS AO VENTO (Crítica)

VIDAS AO VENTO

3estrelas

Por Emílio Faustino

Um colírio que encanta e entedia

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Tenho três considerações a fazer antes de começar a escrever essa crítica:

Primeira: eu quase dormi assistindo “Vidas ao Vento”, aliás, o maior desafio do filme é se manter acordado. Que me desculpem os fãs de Hayao Miyazaki (e aqui eu me incluo), mas infelizmente não foi o que podemos chamar de despedida triunfal. Para os desavisados de plantão, vale lembrar que depois de uma longa e brilhante carreira no cinema, o mestre da animação japonesa, autor do premiado “A Viagem de Chihiro” informou em nota publica a sua aposentadoria após o lançamento do filme “Vidas ao Vento”. (Estratégia de marketing? Talvez…)

Segunda: Embora a sua indicação a melhor animação para o Oscar seja justa, o filme tem pouquíssimas chances de ganhar. Não só porque “Frozen”, seu concorrente direto, vem arrebanhando fãs pelo mundo, mas sobre tudo porque o enredo do filme não ajuda. Não bastasse a história ser pra lá de monótona o enredo gira em torno da vida de um engenheiro que desenvolveu aviões como Mitsubishi A6M (mais conhecido como o modelo de aviões que bombardeou Pearl Harbor durante a Segunda Guerra Mundial). O que facilmente explica a baixa adesão do filme entre os críticos americanos.

Terceira: Definitivamente não se trata de uma animação para crianças. A prova disso é que o filme estreia aqui no Brasil apenas com cópias legendadas. Mas isso também não quer dizer que filme seja violento, cheio de palavrões ou cenas de sexo. Apenas não tem aquele caráter lúdico dos outros filmes de Miyazaki que costumava agradar crianças de todas as idades.

Agora vamos à história!

VIDAS AO VENTO conta a história de Jiro, um jovem que sonha em voar e desenhar belos aviões, inspirado pelo famoso designer aeronáutico italiano Caproni. Míope desde criança e por isso incapaz de tornar-se um piloto, Jiro ingressa na divisão aérea da maior companhia de engenharia do Japão, em 1927. Sua genialidade é logo reconhecida e ele se torna um dos designers de avião mais reconhecidos do mundo.

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Explorando muito bem o título do filme, o longa em diversos momentos nos presenteia com belíssimas imagens poéticas aliadas ao inconfundível traçado do autor que mais uma vez encanta com o seu apuro visual.

A plasticidade do filme realmente é incrível, algumas cenas são tão belas que mais parecem uma pintura de tão belas.

Aliás, o filme é todo apoiado no aspecto visual, porque a história em si é um porre. Ok, a gente sabe que o Miyazaki é um apaixonado por aviação, mas também não precisava gastar quase meia hora do filme explicando termos técnicos da aerodinâmica das peças, a evolução dos rebites, a acoplagem das roldanas, a angulação do design, a velocidade dos motores, entre outros…

Em determinados momentos, mais parecia uma aula do TeleCurso 2000 do que uma animação. A impressão que deu é que o autor fez o filme mais para o prazer dele, do que para o deleite dos fãs. Algo do tipo: “fiz os trabalhos que me fizeram ser reconhecido, agora posso finalmente fazer aquilo que eu queria”.

Em meio a essa biografia animada de Jiro Horikoshi, grande engenheiro aeronáutico japonês, o filme tenta desenvolver um romance que não convence. Enquanto em Frozen a Disney finalmente fez um filme quebrando os estereótipos de príncipe encantado e mostrando o quão importante é conhecer a pessoa e não se entregar ao primeiro cara que aparecer na frente, “Vidas ao Vento” na contra mão, apresenta um romance com direito a pedido de casamento e eu te amo na primeira conversa do reencontro dos personagens adultos.

“Vidas ao Vento” é um filme bastante peculiar, que narra a saga de um entusiasta que queria criar belos aviões, algo realmente fofo, poético e cuti-cuti. Mas analisando friamente o longa, se trata da história de um cara sonhador que para por seus planos em prática preferiu ignorar para quais fins suas criações seriam usadas e dessa forma acaba por contribuir de forma direta com guerra.

É um personagem sem muito carisma, sem muita personalidade, que embora tenha o seu aspecto genial, acabou se tornando mais uma marionete da guerra. Que por sinal, é um aspecto não explorado no filme, aliás, isso é uma verdadeira pena, porque se ao menos tivesse uma guerra na trama, talvez o filme teria sido um pouco menos monótono.

De qualquer forma, é um Miyazaki e sempre haverá alguém para ver e cultuar a sua obra que merece todo o respeito. O filme estreia amanhã, sexta feira dia 28 de fevereiro em todo o país e vale o ingresso pela beleza de suas imagens.

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SINOPSE

Jiro Horikoshi, vive em uma cidade do interior do Japão. Um dia, ele tem o sonho de estar voando em um avião com formato de pássaro. A partir desse sonho, ele decide que construir um avião e colocá-lo no ar é a meta da sua vida. Durante a busca pelo seu sonho ele conhece Naoko, uma jovem encantadora por quem se apaixona. No entanto, Naoko fica profundamente doente, sem saber se sobreviverá.

DIREÇÃO

[do action=”cast” descricao=”Hayao Miyazaki” espaco=”br”]Hayao Miyazaki[/do]

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Hayao Miyazaki
Título Original: The Wind Rises, Kaze Tachinu / 風立ちぬ
Gênero: Drama
Duração: 2h 06min
Ano de lançamento: 2014
Classificação etária: 12 Anos

TRAILER

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