WALT NOS BASTIDORES DE MARY POPPINS (Crítica)

WALT NOS BASTIDORES DE MARY POPPINS

4estrelas

Por Pedro Vieira

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Existem várias histórias que circulam a figura de Walt Disney. Mesmo sendo adorado como uma das mentes mais criativas de seu tempo, ele passou por diversos desafios antes e depois de fundar seu estúdio – como quando resolveu produzir “Branca de Neve e os Sete Anões”, o primeiro longa-metragem animado colorido. Era só uma questão de tempo até que a Disney resolvesse utilizar uma dessas histórias em um filme. Porém, chega a ser curioso que justamente quando o criador do Mickey ganha nova vida nas telas, o foco não está nele.

Não se deixe enganar pelo título nacional de “Walt nos Bastidores de Mary Poppins”, o original “Saving Mr. Banks” faz muito mais sentido, pois, como já foi dito, o produtor interpretado por Tom Hanks não é o protagonista da trama, e sim P.L. Travers (Emma Thompson), autora dos livros que deram origem à personagem Mary Poppins. Tudo gira em torno dela, que após 20 anos protegendo sua obra do insistente desejo de Disney de transformá-la em um filme, decide de uma vez por todas (ou quase é forçada a isso) ir até Los Angeles, e assinar o contrato que dará direito a Disney de produzir o longa.

Em uma narrativa que vai e volta no passado, conhecemos melhor a figura de Travers. No início, ela se apresenta como uma mulher exigente e sem papas na língua. Embora isso cause transtorno a Walt Disney e sua equipe, é por causa dela que surgem várias cenas divertidíssimas para o espectador, pois a Disney acaba se aproveitando dessa figura um tanto quanto independente da autora e cria sequências em que o estúdio ri de si mesmo – como o momento em que Travers chega a seu apartamento em L.A. e, ao encontrar o lugar lotado de bichinhos de pelúcia, demonstra todo o seu “desprezo” pelas animações da empresa. É uma auto referência da Disney feita de forma bem humorada e que vai agradar tanto aqueles que são fãs, como aqueles que não são.

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Conforme a história progride, entendemos melhor as motivações e pesares que circulam o interior da autora de Mary Poppins. Isso se deve ao seu relacionamento com seu pai, muito bem construído por meio de flashbacks que se refletem no atual momento da vida da personagem, trançando um paralelo entre as duas linhas temporais expostas pelo filme. Chega a ser impossível não se afeiçoar à escritora, tanto pela sua história, tanto porquê Travers é magnificamente interpretada por Thompson. A atriz esbanja carisma no papel e conduz o filme com maestria a partir da sua atuação. Mesmo tendo Hanks no elenco, é ela quem faz o espectador rir e chorar em diferentes momentos do filme – infelizmente não posso detalhar quando ela faz isto, pois temo entregar detalhes cruciais da narrativa.

A maquiagem e o figurino aqui também são importantes, pois estão impecáveis na hora de caracterizar os atores como as pessoas que interpretam. Eles se assemelham muito as suas respectivas contrapartes da vida real. É verdade que num todo, a produção do filme está muito boa e a direção trás um clima mais intimista ao longa, com uma câmera que está sempre próxima à Travers em seus momentos mais importantes e auxilia a interpretação de Thompson. Detalhe para bela trilha sonora que embala a história. Embora seja em sua maior parte uma trilha original, é difícil não perceber aqui e ali referências às músicas da Disney, como o clássico tema “Heigh-Ho” cantado pelos sete anões.

Apesar de tudo, o filme não chega ser perfeito. Se a narrativa consegue colocar bem a relação de Travers com o pai, ela peca quanto à de outros personagens que foram importantes para a escritora. Afinal, por que mesmo que Mary Poppins parece ter sido inspirada na tia de Travers? Vale dizer que a relação dela com a mãe foi pouco aproveitada da maneira como foi explorada. São detalhes mínimos presentes na trama que aguçam a curiosidade de quem a vê, mas que ficam mal resolvidos – ainda que isso não a estrague como um todo.

É um belo filme e que talvez seja um dos maiores injustiçados do Oscar desse ano, pois aborda de forma divertida uma figura pouco conhecida, mas que também sabe se aproveitar de diversos elementos referenciais de maneira bem organizada com grandes atuações e uma direção competente.

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SINOPSE

Durante quatorze anos, Walt Disney (Tom Hanks) tentou adquirir os direitos de Mary Poppins da escritora australiana P.L. Travers (Emma Thompson). Quando o acordo foi finalmente fechado e o filme foi terminado, a autora mostrou-se muito descontente com o o resultado final, especialmente no que diz respeito às cenas em animação.

DIREÇÃO

[do action=”cast” descricao=”John Lee Hancock” espaco=”br”]John Lee Hancock[/do]

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Kelly Marcel e Sue Smith
Título Original: Saving Mr. Banks
Gênero: Drama, Comedia
Duração: 2h 11min
Ano de lançamento: 2014
Classificação etária: Livre

TRAILER

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