WARCRAFT – O PRIMEIRO ENCONTRO DE DOIS MUNDOS (Crítica)

Kadu Silva

A grande surpresa positiva do ano, até agora.

É meio clichê começar uma crítica de filme baseado em game assim, mas é fato, é um grande desafio transpor para a telona o universo e a sensação de interatividade de um jogo numa obra cinematográfica, mas fãs de Warcraft, sim, essa produção conseguiu tal feito com grande êxito.

Para quem não tem domínio do universo, vou dar um pequeno panorama do que se trata o filme. Assim como acontece em Game of Thrones (inclusive muitas semelhantes, pode-se fazer dos dois produtos), Warcraft é um local dividido em 7 reinos, mas nesse filme iremos conhecer somente o reino Azeroth que tem a raça humana no comado, um local tranquilo que se vê em apuros quando guerreiros orcs invadem a região para tentar domina-la. É nesse encontro entre os humanos da equipe Aliança e os orcs da equipe Horda que acontece um grande duelo em que cada lado tem disputas pessoais em jogo para tentar salvar seu povo e suas famílias.

O roteiro de Charles Leavitt (No Coração do Mar) é preciso em conseguir abordar diversos temas de forma muito orgânica e principalmente dar um fácil entendimento da trama mesmo para quem não tem domínio do universo do game. No início dá-se a impressão que você vai ficar perdido sobre a história, mas logo tudo tem sentido e aprofundamento ao longo da projeção. Outro acerto do roteiro é a composição bem embasada de todos os personagens, é fácil entender a personalidade e os propósitos de cada papel dentro da trama.

O diretor e roteirista Duncan Jones (Contra o Tempo), filho de David Bowie, se mostra preciso na ambientação da história, nas tomadas de câmera, que dá ao espectador a sensação de domínio da narrativa e um olhar interessante para o uso do 3D, em uma imersão pontual para o recurso. Mesmo com o grande conteúdo a ser apresentado para o primeiro filme, fica claro todo o arco dramático da história, a pequena falha é no clímax final que se mostra acelerado demais depois de todo o desenrolar, fica o gosto de quero mais, ainda que orcs contra humanos não poderia ter uma luta tão extensa pela desigualdade física entre eles.

O filme além da história central apresenta subtramas interessantíssimas que abordam diversas questões pertinentes. A xenofobia/preconceito que acontecem com a dificuldade de conviver com o diferente, o amadurecimento de uma pessoa para os desafios da vida, a nobreza no real sentido da palavra, a releitura da história de cristo, sem contar as teorias que ficam ainda em aberto sobre a expansão do universo diante dos acontecimentos apresentados. Não estou especificando cada item para não apresentar spoiler do filme, mas quem assistir entenderá.

Vale destacar ainda o ótimo acabamento dos efeitos visuais, que são grandiosos em todo o filme, raras são as cenas em que é possível notar certos errinhos, mas isso só é possível se você tiver um olhar muito treinado. Ainda merece menção os figurinos idênticos aos do game, a maquiagem, a construção dos cenários e a trilha sonora de Ramin Djawadi (Homem de Ferro, Prison Break), com grandiosidade épica.

Antes de finalizar é difícil compreender o porquê da crítica internacional está tendo uma recepção tão negativa do filme, já que pouco se vê de grandes erros que merece tão baixa avaliação.

Warcraft – O Primeiro encontro de dois mundos é um ótimo início para uma franquia que tem um grande potencial mercadológico, seja pelas cenas de ação empolgantes, ou/e a narrativa envolvente, mas principalmente pela rica abordagem de temas que merecem reflexão do público alvo.

Warcraft

SINOPSE

A região de Azeroth sempre viveu em paz, até a chegada dos guerreiros Orc. Com a abertura de um portal, eles puderam chegar à nova Terra com a intenção de destruir o povo inimigo. Cada lado da batalha possui um grande herói, e os dois travam uma disputa pessoal, colocando em risco seu povo, sua família e todas as pessoas que amam.

DIREÇÃO

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FICHA TÉCNICA

Roteiro: Duncan Jones e Charles Leavitt
Título Original: Warcraft
Gênero: Fantasia, Ação, Aventura
Duração: 2h 4min
Ano de lançamento: 2016
Classificação etária: 12 Anos
Lançamento: 2 de junho de 2016 (Brasil)

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