WEEKEND (Crítica)

WEEKEND

5estrelas

FICHA TÉCNICA

Título Original: Weekend
Ano de Lançamento: 2011
Produção: EUA
Direção: Andrew Haigh
Roteiro: Andrew Haigh

Sinopse: Depois de uma festa regada a álcool na casa de seus amigos heterossexuais, Russell decide passar por uma discoteca gay. Pouco antes do local fechar, ele encontra Glen, e o que parecia ser no início apenas um caso de uma noite torna-se algo diferente, especial.

Por Carlos Pedroso

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Mais do que uma análise cinematográfica, esse micro texto do (frustrado) escritor que vos fala é na verdade uma dica pessoal sobre um achado independente, lançado em meados de Julho do ano passado no Brasil, que roda os festivais internacionais desde 2011. Weekend, dirigido pelo britânico Andrew Haigh, é uma dessas relíquias do (ainda presente) movimento Mumblecore que, na espontaneidade dos diálogos e intensidade narrativa, constrói com delicada sutileza um estudo praticamente clínico sobre as relações modernas e as frustrações consequentes a elas.

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Após começar a noite numa reunião entre amigos, Russell (Tom Cullen), um rapaz cuja aparência é fragilizada pela tristeza denotada em seu olhar, resolve ir a uma boate gay, no caminho para casa, na tentativa de encontrar alguém para suprir a solidão noturna. Entre troca de olhares e uns passos tímidos de dança, ele conhece Glen (Chris New), cuja atitude instiga imediatamente sua curiosidade, levando-o a passar a noite em seu apartamento. Na manhã seguinte, após o constrangimento inicial, Russell é surpreendido por Glen, que o pede para falar sobre a experiência que acabara de ter a um gravador que segura em mãos. Partindo basicamente da análise do que os rapazes estabelecem nessa natural (e brutalmente humana) forma breve de relação -sexual- como base para seu estudo, Haigh, adentra, a cada novo diálogo conseqüente que se dilui em cena, numa discussão social dos conflitos homossexuais, que, graças ao atento e minucioso olhar (observador) da câmera e da montagem cênica, desmistificam qualquer estereótipo ou ideologia cuspida sobre os temas por eles questionados. Ao passo que a arquitetura do filme segue-se em moldes similares aos dramas românticos clássicos, o filme de Haigh se sobressai do nicho queer independente por explorar essas facetas sem levantar qualquer bandeira, legitimando a liberdade de mise en scène do movimento a fim de compreender (e dissecar) as relações modernas e a liberdade de expressão daqueles personagens num debate aberto do assunto.

Ao contrário da costumeira agressividade fílmica advinda da temática –compreensível pela polêmica e diversidade ideológica-, em Weekend, mais do que qualquer abordagem discursiva, os personagens tem o papel de retratar atos simplórios. Como em seu desfecho final, quando Glenn, na estação de metro, logo antes de se despedir de Russell, o questiona sobre aquele ser o “momento Nothing Hill” deles (em referência ao clássico de Julia Roberts e Hugh Grant); é na honestidade concebida desses atos que se compreende, antes de qualquer coisa, que esses personagens são humanos.

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1 Comentário

  1. sofia martínez

    Muito bem. Eu encontrei muitas propostas cinema e tv on gay temático Olhando através da série que acaba de começar sua segunda temporada, aqui o site oficial desta série http://www.hbomax.tv/looking-2/ que parece ser bom e agradecer a comunidade suficiente.