WESTWORLD | 1ª Temporada (Crítica)

Matheus Souza

Depois de 6 anos desde o lançamento da primeira temporada de Game of Thrones, os executivos da HBO já têm um novo orgulho. A mais recente série do canal não só atingiu as expectativas do quanto foi investido na produção, mas certamente superou aquilo que era esperado. Prova disso está na quebra do recorde da primeira temporada mais assistida em todos os tempos do canal, título que até então pertencia “a queridinha” Game of Thrones.

É claro que neste mundo capitalista coincidências são quase milagres. A produção foi projetada para ser um sucesso, afinal, ela conta com nomes já bem renomados em Hollywood como J. J. Abrams, lembrado por Lost, Star Wars e Star Trek, e Jonathan Nolan, que foi roteirista de Interestelar. Igualmente teve destaque o elenco com Anthony Hopkins, Ed Harris, Evan Rachel Wood, Rodrigo Santoro, Ben Barnes e por aí vai.

Baseada no longa de Michael Crichton, Westworld – Onde Ninguém Tem Alma, de 1973, a ficção-científica se passa num futuro extremamente tecnológico, em que pessoas ricas vão a um parque temático povoado por androides, e que utiliza o cenário do Velho Oeste, para despertarem seu verdadeiro “eu”. Em meio a esse contexto, além de tratar de temas como controle, a natureza humana e o descobrimento do espírito, a série também trará à tona questões filosóficas como “a essência humana”, os limites do progresso tecnológico e a consciência.

Além do espetáculo cinematográfico que é a composição estética da série, que não deixa nada a desejar à grande produção medieval do canal, ela também conta com um roteiro feito com esmero. Todos os episódios são bem propositados, mesmo os primeiros, que buscam emergir e capacitar o entendimento do público sobre o universo. É difícil pensar em um episódio da série que não contribuiu para o desenvolvimento narrativo. Outro aspecto positivo do roteiro, está na capacidade que ele teve de levantar várias questões no decorrer dos capítulos, e conforme respostas pareciam surgir, novos questionamentos apareciam. As inúmeras frases de efeitos não estavam lá apenas para provocar encantamento da audiência, tudo fazia parte de um jogo de pistas levantadas pelos criadores, que ainda presentearam os espectadores com um final surpreendente e instigante. Infelizmente, é inviável contar da grande sacada da temporada sem estragar a experiência de quem ainda não a assistiu.

Outros fatores que permitem o percebimento da grandiosidade do roteiro da série, está na capacidade com que ele torna difícil distinguir o caráter das intenções dos personagens. Personagens como Maeve e o Dr. Ford, por exemplo, apresentavam nuances positivas e negativas, e uma dualidade que certamente fez o público mudar de opinião diversas vezes sobre cada um.

Além do propósito de tudo relacionado ao roteiro, essa característica também é presente no quesito visual da produção. Nada apresentado está ali para servir de “cereja do bolo”. Diferentemente de Game of Thrones, a nudez e a violência não são gratuitas, ou com objetivo de chocar os espectadores, tudo apresentado tem por finalidade compor e caracterizar aquele universo.

A série é um espetáculo televisivo que vai muito além do design dos cenários, dos efeitos especiais, da fotografia expressiva, ou dos figurinos. A atmosfera imponente da produção é aparente nos detalhes, seja pela abertura fantástica, que resume bem aquele universo, por mostrar a construção dos androides ao som de uma trilha épica de violinos (trilha essa assinada pelo mesmo responsável da de Game of Thrones) quanto pelas atuações fantásticas do elenco, que conseguiu transmitir de forma eficaz a mistura fria e robótica, e as emoções humanas dos nativos.

Westworld chega ao fim de sua primeira temporada se consagrando como uma das melhores estreias de 2016. A série conseguiu ser uma mistura da grandiosidade de Game of Thrones, salvo ressalvas incomparáveis, com o efeito reflexivo de The Leftovers. Certamente a queridinha produção medieval da HBO conseguiu uma herdeira do seu sucesso como não tinha até então.

Westworld

FICHA TÉCNICA

Origem: EUA
Data de estreia: 2 de outubro de 2016
Criação: Jonathan Nolan, Lisa Joy
Elenco: Evan Rachel Wood, Thandie Newton, Jeffrey Wright, Rodrigo Santoro
Número de episódios: 10
Duração: 69 aprox. (cada episódio)

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