X-MEN – DIAS DE UM FUTURO ESQUECIDO (Crítica)

XMEN  DIAS DE UM FUTURO ESQUECIDO

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Por Emílio Faustino

Mais que ação e efeitos especiais, um filme de super-heróis maduro que diverte e faz pensar.

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Chega aos cinemas de todo Brasil, o novo filme da franquia X-Men, a adaptação do quadrinho “X-men – Days of future past” lançado em janeiro de 1980 nos EUA, ganha a sua versão cinematográfica 34 anos depois de seu lançamento, reunindo o elenco da trilogia X-Men e do aclamado “X-Men Primeira classe”.

Dirigido por Bryan Singer (X-Men 1e 2) e com roteiro de Matthew Vaughn (diretor e roteirista de X-Men Primeira Classe), o filme mescla o melhor dos dois mundos: um roteiro inteligente e uma direção que consegue empolgar ao proporcionar boas cenas de ação, drama e humor.

A história se passa no futuro. Na trama os mutantes do “bem e do mal” se unem contra os Sentinelas (robôs desenvolvidos pelos humanos que rastreiam e matam os mutantes). Já não restam muitas esperanças e a única forma encontrada para mudar o quadro é voltar para o passado e mudar o ato que desencadeou os eventos que iriam motivar a criação dos Sentinelas.

Porém esse lance de voltar para o passado não é algo tão simples assim, não se trata de uma viagem no tempo e sim de uma transferência da consciência do presente para o passado que a Mutante Kitty (Ellen Page) consegue fazer (Para quem não lembra ela é aquela que atravessas as paredes em X-men 3).

E é claro, o único mutante capaz de fazer essa viagem longa no tempo sem sofrer com os danos na consciência é o Wolverine, que por ter o poder da regeneração é o X-Men escolhido para fazer a ponte do futuro com o passado. Ver o personagem Wolverine tentar convencer Eric (Magneto) e Charles (professor Xavier) de que ele veio do futuro e que precisa da ajuda dele, rende cenas bastante engraçadas. Sobre tudo porque para permanecer na consciência do passado ele precisa se manter calmo, um desafio e tanto para um personagem que não tem como ponto forte a paciência.

O filme oscila entre os núcleos do passado e futuro, mas sem dúvida é no núcleo do passado que a história se desenvolve melhor, os efeitos especiais e as cenas de ação estão ótimos, destaque para a cena onde o Magneto cerca a casa branca com a estrutura de um estádio de futebol.

Porém, cabe a ressalva de que o 3D no filme não acrescenta muito, então eu não indicaria aos leitores pagar o dobro para ver um 3D que não funciona tão bem.

Mas talvez um dos aspectos que mais chamem atenção no longa seja o elenco, que conta com no mínimo 6 atores que já foram indicados ao Oscar (Ellen Page, Hugh Jackman, Michael Fassbender, Halle Berry, Ian McKellen e Jennifer Lawrence). Nunca antes na história dos filmes de super-heróis tivemos um projeto que conseguisse reunir tantos atores expressivos como em “X-Men – Dias de um futuro esquecido”.

Temos os galãs do momento Michael Fassbender (12 anos de Escravidão) e James McAvoy que dão vida respectivamente aos amigos/antagonistas Magneto e professor Xavier. Destaque para James McAvoy que brilha ao interpretar um Xavier com nuances até então não exploradas nos filmes anteriores.

Com mais complexidade, rebeldia e cenas dramáticas, o que se vê na tela do cinema vai muito além do que poderia ser uma caricatura do professor imortalizado pelo ator Patrick Stewart. McAvoy conseguiu dar o seu toque pessoal ao personagem sem fazer com que o mesmo perdesse a sua essência.

A cena emblemática em que o personagem Xavier do passado e do futuro se encontram e conversam entre si já é o que podemos chamar, ainda que prematuramente, de clássico do cinema. (Simplesmente incrível e potencialmente filosófica, afinal, como não pensar após ver essa cena o que você diria hoje para o seu eu do passado se tivesse a oportunidade?)

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Ainda sobre o elenco, o filme conta com Hugh Jackman (Os Miseráveis) que da vida a Wolverine pela SÉTIMA vez, o Sir Ian McKellen (O Senhor dos Anéis), temos também a vencedora do Oscar Jennifer Lawrence (O Lado bom da vida / Jogos Vorazes) que interpreta a mutante Mística, personagem que ganha um destaque desproporcional nesse filme. (Tudo para aproveitar do carisma e da legião de fãs da atriz que esta cada dia mais em alta).

E como se não bastasse isso tudo, ainda encontraram tempo e espaço para incluírem o ator Peter Dinklage, mais conhecido por interpretar o anão Tyrion Lannister na série Game of Thrones. No filme ele interpreta um líder politico que irá desenvolver a tecnologia capaz de criar os robôs que irão por em risco o futuro dos mutantes. Interessante observar a semelhança da trama com o Holocausto. (Ao menos eu fiz essa analogia)

Veja bem, ele é um líder politico que não se enquadra nos padrões (afinal um anão por definição já esta fora dos padrões humanos) e que por sua vez incita o extermínio dos diferentes, no caso os mutantes. Algo semelhante ao que Hitler fez quando pregava a hegemonia da raça ariana: alemães, loiros, altos, de olhos claros. Sendo que o mesmo era, austríaco, moreno, baixinho e de olhos castanhos.

Esse aspecto do filme nos faz pensar sobre a forma como lidamos com o diferente e sobre tudo com as nossas próprias diferenças. Ocorre pensar que muitos dos defeitos que nós apontamos no próximo, são formas ainda que inconscientes de desviar a atenção de nossas não aceitações. Nesse sentido o personagem Charles Xavier que também sofre por ser diferente nos dá um bom exemplo de caminho a ser tomado. (Vale a reflexão)

A parte cômica do filme fica por conta do personagem Mercúrio que rouba a cena em sua passagem em slow motion ao som de Time in a Bottle. (Pra quem não sabe mercúrio tem o poder de ser muito rápido, ou seja, ela é uma espécie de Flash da Marvel).

É uma pena que ele suma no meio da história sem maiores explicações e só volte no fim… Com certeza ele poderia ser bastante útil na trama, mas não souberam explorar tudo o que o personagem podia dar.

E por falar em personagens, o que foi a Tempestade (Halle Berry)? Sério, eles deveriam reclassifica-la para “Brisa”, porque no filme ela esta totalmente sem peso, função ou porquê de existir. E como se não bastasse ainda esta fazendo cosplay de Ana Maria Braga com aquele corte de cabelo de gosto duvidoso.

Aliás, esse é um dos pontos negativos do filme, são tantos personagens que ficou difícil administrar tudo isso de forma a dar peso e função a todos. Outro aspecto que o filme peca é a ingenuidade de que achar que mudar um único evento do passado irá mudar o futuro necessariamente para melhor. Filmes como “Efeito Borboleta” exploraram melhor o tema e toda a questão da teoria do caos que diz que “O leve bater das asas de uma borboleta aqui, pode causar um tufão do outro lado do mundo”.

Como se o fato de o Wolverine do futuro contar para o Fera do passado que o personagem não chega a estar vivo no futuro, não fosse deixa-lo de alguma forma louco ou esquizofrênico…

Mas de modo geral, o filme esta acima da média, o melhor da franquia X-Men e talvez o mais completo filme de super-heróis do ano.

Sem dúvida vale a pena conferir, mais que ação generalizada e efeitos especiais, é um filme de super-heróis maduro que diverte e faz pensar. Deve agradar a pessoas de todas as idades, fãs da saga e amantes de um bom filme.

“X-Men – Dias de um futuro esquecido” estreia nesta quinta, dia 22 de maio em todo Brasil”. O próximo filme da saga já tem nome e data prevista, “X-Men – Apocalipse” deve chegar aos cinemas em maio de 2016 e também será dirigido por Bryan Singer.

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SINOPSE

No futuro, os mutantes são caçados impiedosamente pelos Sentinelas, gigantescos robôs criados por Bolívar Trask (Peter Dinklage). Os poucos sobreviventes precisam viver escondidos, caso contrário serão também mortos. Entre eles estão o professor Charles Xavier (Patrick Stewart), Magneto (Ian McKellen), Tempestade (Halle Berry), Kitty Pryde (Ellen Page) e Wolverine (Hugh Jackman), que buscam um meio de evitar que os mutantes sejam aniquilados. O meio encontrado é enviar a consciência de Wolverine em uma viagem no tempo, rumo aos anos 1970. Lá ela ocupa o corpo do Wolverine da época, que procura os ainda jovens Xavier (James McAvoy) e Magneto (Michael Fassbender) para que, juntos, impeçam que este futuro trágico para os mutantes se torne realidade.

DIREÇÃO

[do action=”cast” descricao=”Bryan Singer” espaco=”br”]Bryan Singer[/do]

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Simon Kinberg
Título Original: X Men: Days of Future Past
Gênero: Aventura
Duração: 2h 12min
Ano de lançamento: 2014
Classificação etária: 12 Anos

TRAILER

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4 Comentários

  1. vladimir

    personagem que ganha um destaque desproporcional nesse filme. (Tudo para aproveitar do carisma e da legião de fãs da atriz que esta cada dia mais em alta).

    Bem…a Mística do filme faz exatamente o que a Mística faz na HQ que baseia esse filme. As personagens, em ambas as mídias, são centrais pra história, e são elas que desencadeiam indiretamente o apocalipse mutante. Claro que esse fator foi um golpe de sorte, dada a popularidade da Lawrence, mas a relevancia e destaque da personagem na trama não se devem só a uma merda jogada de marketing.

  2. Emilio

    Pode ser, eu não cheguei a ler o HQ em questão. Grato pela correção ^^

  3. Rafinha

    Fui assistir X-men: Dias de um futuro esquecido

    Wolverine assumiu-se BÍ-SEXUAL, e isso, pra mim, foi UMA SACADA dos diretores desse filme.

    Agora sim, um filme MAIS CABEÇA, mais intelectualizado E MAIS PIROCA solta.

    PIROCA? Falei PIROCA gente?

    Ah, sim sim. Tinha esquecido, O WOLVERINE DEU A BUNDA no filme…Mas agüenta ai que já te conto pra quem ele fez isso. Irei contar COM DETALHES.

    PIROCA estava livre no filme.

    Eu não sabia que tinha tantos X-men com tantos poderes assim…

    Um poder de mais um personagem foi demonstrado no filme: A PIROCA ATÔMICA.

    Magneto ADAPTOU um ferro forte NA SUA CACETONA, e agora, a piroca do cabra ta tão forte, que ele está a procura de pessoas que lêem criticas de cinema em blogs e/ou sites específicos de cinema, COMO ESTE AQUI QUE VC ESTÁ LENDO.

    É O SEU CASO?

    C TÁ LENDO AQUI ESSA CRÍTICA?

    TÁ FUDIDO BRODER !!!!!!

    Cara ta com PIROCÃO DE FERRO mesmo.

    O professor Xavier, já não poderia mais entrar nessa relação, pois, lembrem-se, está no código da Marvel: NÃO FARÁS SEXO GRUPAL.

    Então, o Professor Xavier, NÃO PODE COMER NINGUÉM.

    Não foi somente nesse filme que a Marvel tenta atribuir um valor mais intelectualizado. No Homem-Aranha, também foi assim. Ou seja, ambos tiveram uma mensagem pra a reflexão do público. Sinto que os filmes estão tentando DAR “ALGUMA COISA” PARA O PÚBLICO que não seja somente um efeito especial, e sim, alguma lição de vida.

    Se vc pegar os últimos filmes da Marvel, EM NADA, repito, EM NADA, vc precisa pensar para entender e/ou interpretar alguma coisa. Neste filme, vc precisa relembrar muuuuuitas coisas. Por exemplo, eu esqueci COM QUAL HOMEM O WOLVERINE TINHA TREPADO…

    Se vc não se lembra, FICA PERDIDO NO FILME.

    Com quem ele FODEU?

    Mas EU LEMBREI.

    Veja, não estou aqui defendendo que os filmes tenham que apresentar-se sempre inteligentes, muitas das vezes, um filme simples, COM POUCOS EFEITOS ESPECIAIS também tornam-se um filme marcante e até vencedores de premiações como O OSCAR e o GLOBO DE OURO.

    É claro que falar de “Oscar” para esse tipo de filme, já é dar uma pequena DECOLADA da realidade, néh? Se o cara falar isso, ELE DEU UMA FUMADA, só pode.

    Um ponto marcante do filme foi O ATO DO WOLVERINE COLOCAR CAMISINHA NO MAGNETO. A conscientização para que a população cuide-se cada vez mais para que não saiamos engravidando por aí.

    O pedido para que MAgneto tomasse cuidado nas relações sexuais, foi muito marcante.

    O Magneto enfiou O FERRO no Wolverine O FILME TODO.

    Nesse X-men, o que preponderou FOI A INTELIGÊNCIA DO FILME.

    Veja, os atuais filmes que tratam da volta no tempo, são bem recentes mesmo, já ta meio CHATINHO já essa história de voltar no tempo, néh?

    Bom, depois que PELA PRIMEIRA VEZ o Wolverine tenta, com todas as forças, DAR UM BEIJO NA BOCA do professor Xavier…Creio que aí, nesse instante, tirou-se todas as dúvidas sobre o Wolverine.

    Filme MUUUUITO bom… RECOMENDO