YVES SAINT LAURENT (Crítica)

YVES SAINT LAURENT

4emeio_certo

Por Loverci Ferreira

“A moda passa, o estilo é eterno”

YVES SAINT LAURENT02

Vocês que acompanham as minhas resenhas devem perceber que até hoje não escrevi sobre nenhum lançamento, confesso que não me arrisco muito a resenhar um filme que vejo apenas uma vez, pois minha primeira reação é assistir com a emoção, depois revejo cenas ou momentos para analisar de forma mais técnica.

Então também é raro eu ir ao cinema, pois cada vez mais me surpreendo com o preço alto do ingresso, sabemos o gasto alto para se produzir um filme que pode nem dar retorno, mas o número de espectadores quase sempre é grande e cobre as despesas e dá lucro, bem diferente de muitos espetáculos teatrais em cartaz.

Sou mais um adepto da vídeo locadora (que por sinal este aparelho caiu em desuso, mas o nome do estabelecimento continua o mesmo), minha irmã que teve uma locadora comentou os valores altos que pagava em alguns lançamentos, hoje em dia com tanto site de download gratuito e o acesso de grande parte da população a TV a cabo muitos destes comerciantes estão fechando suas portas.

Quando vi o trailer do lançamento de “Yves Saint Laurent” fiquei curioso em assistir o filme, afinal sempre gostei do assunto moda mesmo eu sendo um grande fracasso na hora de tentar me vestir de forma elegante.

Neste fim de semana então fui ao cinema ver este lançamento e principalmente por seu um filme Francês, ao que parece ultimamente o mundo redescobriu o cinema europeu e desde o incrível “O fabuloso destino de Amélie Poulan” tenho visto mais filmes desse país, porque os antigos filmes considerados “arte” e bons para nosso intelecto, além de nem sempre atingirem todos às classes sociais algumas vezes são muito maçantes.

O filme é um espetáculo em se tratando das criações do gênio da moda para os desfiles, sem sombra de dúvidas um presente para qualquer figurinista de cinema que queira fazer um bom trabalho e mostra que moda não é apenas algo para se vestir, pode ser elevada ao padrão de “arte”, como é citado também no filme “O diabo veste Prada”.

A história começa por volta de 1956, como primeiro assistente de Christian Dior ele assume o posto de diretor criativo da casa logo após a morte do grande ícone da moda na França, na coletiva em que é apresentado à imprensa uma jornalista pergunta: “Você não é muito jovem para assumir uma importante casa de alta costura”:, pois no momento ele tem apenas 21 anos de idade.

Quando uma pessoa tão jovem logo se torna um ícone, nem sempre sua vida pessoal consegue acompanhar a trajetória e parece que os franceses desta geração eram experts em terem vidas trágicas e sofridas, como é o caso de Edith Piaf, Coco Channel e Yves Saint Laurent não ficou de fora disso.

A pressão do mundo da moda acaba tirando ele dos eixos, inspirado pelo grande Dior seu primeiro desfile é um sucesso como moda pret-a-portier, mas logo em seguida ele acaba tendo um colapso nervoso e é internado com o diagnóstico de maníaco depressivo.

YVES SAINT LAURENT01

Por este motivo a administração da Maison acaba o demitindo, seu namorado Pierre Bergé (Guillaume Gallienne), se reúne com um advogado e entra com um processo contra a empresa, a ideia é que com o ganho da causa eles possam montar a própria grife Yves Saint Laurent.

Com o ganho na ação contra a Dior e o dinheiro na mão, eles vão atrás de possíveis investidores para o empreendimento, claro que as informações sobre o estado mental do estilista acabam vazando e por isso os investidores não confiam aplicar dinheiro no trabalho de uma pessoa não estabilizada psicologicamente.

Então Pierre vê como estratégia de marketing lançar uma matéria de capa numa grande revista sobre a nova coleção de Yves, isso atrai o olhar de investidores de fora para seu negócio e assim montam o primeiro desfile da nova grife, o que não é totalmente decepcionante segundo as críticas, mas nada trás de espetacular do universo pret-a-porter.

O fato é que apesar de ser um gênio ele não confiava em seu trabalho, o que é normal em grandes artistas, buscando inspiração ele acaba se deparando com um livro de pintura de Mondrian e une ás artes plásticas com a moda transformando seu desfile num sucesso.

Com o grande sucesso do desfile, como dizia o livro de Hemingway “Paris é uma festa” e ele começa a aproveitar todas as oportunidades de diversão se entregando a tudo, baladas, sexo e drogas.

Desta forma o relacionamento entre ele e seu namorado começa a se desgastar e Pierre investindo todo seu tempo no sucesso da sua carreira se torna seu braço direito, até mesmo uma espécie de pai, controlando sua vida profissional e pessoal e afastando amigos oportunistas como a musa do estilista Victoire Doutreleau (Charlotte Le Bom) e até mesmo seu amante Jean Pierre (Alexandre Steiger).

Mas o fato é que a Maison só sobreviveu graças ao grande apoio do fiel amigo Pierre ao seu lado, logo quando ele visita Yves na clínica psicológica e sabe do diagnóstico da doença o médico olha para ele e pergunta: “Você esta preparado para lidar com isso?” A resposta é que ele fica ao lado dele até o final da vida.

O ator que interpreta Yves (Pierre Niney) do filme “Românticos anônimos” é incrivelmente parecido com o grande estilista e sua atuação espetacular, desde a forma de falar, o corpo , a figura introspectiva e tímida, numa das melhores cenas do filme ele relata fatos do passado quando era discriminado por ser homossexual, depois de famoso talvez por não se importar mais com isso ele se torna polêmico, sendo inclusive preso por atentado violento ao pudor.

Um recurso que eu não gosto do filme e acredito que é pura falta de imaginação é quando a história é narrada por uma pessoa, estamos assistindo um filme e por mais que o texto faça parte da história transforme isso em imagem, como fez Hitchcock de forma incrível numa breve passagem de câmera em “Janela indiscreta” quando nos apresenta fatos da vida do personagem interpretado por James Stuart.

Em se tratando de cenários não há o que se falar quando você usa como pano de fundo a sempre bela Paris com ótimas locações e a trilha sonora é muito interessante, mas no meu ponto de vista um tanto óbvia, quem pensa que vai ouvir apenas música francesa ou clássica vai ficar surpreso, pois os estilos são variados.

Digo que as músicas em alguns momentos são um tanto óbvias porque quando ele se entrega as drogas e sexo, toca rock in roll, quando ele se envolve com o interesseiro Jean Pierre o fundo musical é a ópera “La Traviatta” e no último desfile toca uma triste ópera pontuando o final dramático da história.

Algumas coisas não ficam muito claras na história, como a relação do estilista com sua família, vários personagens passam pela trama e não se desenvolvem na história e tem um corte de tempo horrível entre o polêmico desfile de 1976 até sua morte em 2008.

A critica francesa caiu de pau encima do filme falando mau da direção de Jalil Lespert como mal acabada e comparando o filme a uma produção de televisão barata, o jornal “Le Monde” o classificou como “decepcionante” e que a história é superficial e em nada retrata a importância do trabalho que Yves teve para a indústria da moda.

Mas apesar de sempre as histórias de amor entre dois homens optarem pelo tom trágico é um filme muito bom, mas em certos momentos bastante deprimente ao abordar a história de um ícone que não soube lidar com a sua própria vida.

YVES SAINT LAURENT03

CURIOSIDADES

* Para interpretar o personagem o ator principal fez aulas de design de moda, costura e desenho.

* Ainda este ano será lançado mais um filme sobre a vida do estilista, trata-se de “Saint Laurent”, dirigido por Bertrand Bonello (L’Apollonide – Os amores da casa de tolerância), traz Gaspard Ulliel no papel principal e terá sua primeira exibição na mostra competitiva do Festival de Cannes.

SINOPSE

Paris janeiro de 1957. Yves Saint Laurent 21 anos sucede Christian Dior e apresenta sua primeira coleção para a marca. Saint Laurent acaba conhecendo Pierre Bérgé patrono das artes que se tornaria o amor de sua vida e seu parceiro nos negócios.

Três anos mais tarde criam juntos a empresa Yves Saint Laurent uma das marcas mais famosas do mundo da moda e do luxo.

DIREÇÃO

[do action=”cast” descricao=”Jalil Lespert” espaco=”br”]Jalil Lespert[/do]

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Jalil Lespert e Marie-Pierre Huster
Título Original: Jiao you
Gênero: Biografia /Drama
Duração: 1h 46min
Ano de lançamento: 2014
Classificação etária: 16 Anos

TRAILER

Comente pelo Facebook

3 Comentários

  1. gabs

    Não existe o termo maníaco depressivo há muito tempo, o correto é transtorno bipolar de personalidade.

    • Loverci

      O termo que usei é exatamente o que é dito no filme, afinal na época se chamava assim.

  2. Alexandre Figueiredo

    Gostei da inspiração que Yves teve quando viu a pintura de Mondrian. Até os gênios têm suas inspirações.