ZAMA (Crítica)

Kadu Silva

Tortura argentina

Uma das qualidades que um grande filme pode ter é trazer o sentimento que acontece em cena para o público, mas isso é uma das tarefas mais complicadas, já que muitas vezes o que vemos na telona é quase impossível de ser transmitido tão intimamente para o indivíduo ali sentado no escurinho do cinema. Lucrecia Martel (A Mulher Sem Cabeça) no seu novo filme Zama, o escolhido pela Argentina para tentar uma vaga entre os finalistas a melhor filme em língua estrangeira, consegue fazer isso com perfeição, mas calma, isso não quer dizer que se trate de um filme fácil e gostoso de ser assistido, pelo contrário, o que sentimentos ao acompanhar o filme é um tédio torturante, tudo porque o protagonista se sentir deslocado em um local hostil.

Esse protagonista é o Don Diego Zama (Daniel Gimenez Cacho) um oficial da Coroa Espanhola que estava a trabalho na colônia argentina no final do século XVII, que só tinha um único desejo principal, que é partir de Buenos Aires, de volta para Espanha. Com objetivo de conseguir essa carta de alforria mais rapidamente, ele se junta ao um grupo de soldados à caça de um perigoso bandido local, o “terrível” Vicuña Porto e assim explora terras selvagens habitadas por índios, aonde precisa sobreviver ao perigo eminente que a aventura deve lhe proporcionar.

ZAMA (Crítica)

O curioso que ao ler a sinopse o filme parece até um certo épico como Os Piratas do Caribes por exemplo, mas não é nada disso, o filme é um certo experimento de Lucrecia, a narrativa não segue uma cronologia obvia, a montagem tem cortes bruscos e sem um sentindo claro, até os diálogos são cortados sem uma lógica evidente, mas o mais desafiador é os longos e infinitos momentos de contemplação sem anda acontecendo em tela.

O terceiro ato do filme por ser o momento em que Zama parte para a aventura, ganha em envolvimento, mas ainda assim tudo é meio confuso e até irritante. Como já foi citado, todos esses que poderiam serem considerados equívocos é uma escolha pensada da diretora, que através desse molde pouco convencional busca “torturar” sua plateia assim como Zama se sente angustiado na terra estrangeira em que estava trabalhando.

Não se pode negar que Lucrecia é corajosa nesse seu projeto, mas o resultado do filme possivelmente deve agradar a poucos, é mais um cinema experimental de sensações que uma obra que consegue narrar um conto ou mesmo trazer uma mensagem importante para discussão. E hoje em dia em que o público cada vez mais quer algo fácil de digerir, o filme acaba sendo um produto para rodar festivais unicamente, mais que propriamente uma obra para se comunicar com o grande público, infelizmente.

Zama por mais que seja um filme corajoso em sua concepção, se torna uma tortura cinematográfica difícil de digerir para um público leigo.

Pôster de divulgação: ZAMA

Pôster de divulgação: ZAMA

SINOPSE

Zama, um oficial da Coroa Espanhola nascido na América do Sul, espera por uma carta do rei concedendo-lhe a transferência da cidade onde está para um lugar melhor. Para garantir que nada atrapalhe sua mudança, ele é forçado a aceitar de forma submissa qualquer tarefa dada pelos inúmeros governadores que chegam e vão embora. Os anos passam e a mensagem do rei nunca chega. Quando Zama percebe que isso nunca irá acontecer, ele se junta a um grupo de soldados que procura por um perigoso bandido.

DIREÇÃO

[do action=”cast” descricao=”Lucrecia Martel” espaco=”br”]Lucrecia Martel[/do]

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Lucrecia Martel
Título Original: Zama
Gênero: Comédia
Duração: 1h 55min
Classificação etária: 14 Anos
Lançamento: em breve (Brasil)

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