ZELIG (Crítica)

Davi Gonçalves

FICHA TÉCNICA

Título Original: Zelig
Ano do lançamento: 1983
Produção: EUA
Gênero: Comédia, Drama, Fantasia
Direção: Woody Allen
Roteiro: Woody Allen
Classificação etária: 14 Anos

Sinopse: Um pseudo-documentário sobre a vida de Leonard Zelig (Woody Allen), o homem-camaleão, que tinha o dom de modificar a aparência para agradar as outras pessoas.

ZELIG

Escrito e dirigido por Woody Allen, Zelig é, sem sombra de dúvidas, um dos trabalhos mais interessantes de sua carreira – infelizmente esnobado pelo público e ofuscado por outras de suas obras mais “famosas” (porém superestimadas, a meu ver). Propositalmente estruturado como um documentário, o filme narra a história de Leonard Zelig (o próprio Woody), um homem comum com uma característica bastante peculiar: ele tem a incrível capacidade de transformar sua aparência, bem como suas maneiras e até seu intelecto, de forma a adaptar-se às pessoas no ambiente ao seu redor. Internado em um hospital em Manhattan, seu caso chama a atenção da doutora Eudora Fletcher (Mia Farrow), que acaba se apaixonando pelo paciente.

O que faz Zelig ser um filme tão genial é a segurança com a qual Woody brinca com a narrativa. Se o próprio estilo pseudo-documentário já abre espaço para inúmeras possibilidades cômicas, Allen potencializa esta perspectiva com a ironia recorrente em sua filmografia, aproveitando muito bem cada oportunidade para fazer suas piadas funcionarem de forma intensa e cabível. O cineasta segue firmemente o padrão “documentário” tradicional, inserindo elementos como as filmagens em preto e branco e os depoimentos de pessoas que teriam conhecido o protagonista, por exemplo. Para além disso, as técnicas de manipulação de imagens são bastante convincentes para a época (o longa é do início da década de 80): Zelig é visto em fotos ao lado de personalidades, como Al Capone, Charles Chaplin, F. Scott Fitzgerald e, pasmem, Adolf Hitler.

Mas Zelig não é apenas uma comédia crua e sem propósito. Zelig é também uma fábula atemporal sobre a inútil necessidade do ser humano de aceitação. Para Leonard, se adaptar aos demais ao seu redor era se sentir “aceito”, era estar “seguro” – daí sua transformação. Ser “igual” era para ele um instinto de sobrevivência, uma maneira de estar integrado ao todo. Cá entre nós: pouca coisa mudou deste então. Ainda hoje, é possível encontrar milhões de “Zeligs” sem personalidade, sedentos de atenção, tentando ser apenas mais um na multidão – as redes sociais estão aí para comprovar. Zelig consegue criticar esse comportamento através de uma trama repleta de humor, que ironiza até mesmo o sensacionalismo da imprensa e o culto às celebridades. É Woody Allen em grande forma – mais até do que em seus supostos momentos mais inspirados.

PRÊMIOS

OSCAR
Indicações: Melhor Fotografia e Melhor Figurino

GLOBO DE OURO
Indicações: Melhor Comedia ou Musical e Melhor Ator em Comedia ou Musical – Woody Allen

BAFTA
Indicações: Melhor Fotografia, Melhor Edição, Melhor Roteiro Original, Melhor Efeitos Visuais e Melhor Maquiagem

Comente pelo Facebook

2 Comentários