A LISTA DE SCHINDLER (Crítica)

A LISTA DE SCHINDLER1

5estrelas

FICHA TÉCNICA

Título Original: The Schindler’s List
Ano do lançamento: 1993
Produção: EUA
Gênero: Drama
Direção: Steven Spielberg
Roteiro: Steven Zaillian

Sinopse: A inusitada história de Oskar Schindler (Liam Neeson), um sujeito oportunista, sedutor, “armador”, simpático, comerciante no mercado negro, mas, acima de tudo, um homem que se relacionava muito bem com o regime nazista, tanto que era membro do próprio Partido Nazista (o que não o impediu de ser preso algumas vezes, mas sempre o libertavam rapidamente, em razão dos seus contatos). No entanto, apesar dos seus defeitos, ele amava o ser humano e assim fez o impossível, a ponto de perder a sua fortuna mas conseguir salvar mais de mil judeus dos campos de concentração.

Por Kadu Silva

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“Aquele que salva uma vida, salva todo o mundo.” Nunca uma frase pode sintetizar com tanta propriedade o que representou o ato de Oskar Schindler para história da humanidade.

Schindler foi um alemão que viu uma grande oportunidade durante a guerra de ganhar muito dinheiro, utilizando da mão-de-obra barata judia em sua fabrica. Ligado ao partido nazista, teve facilidades para viabilizar esse seu projeto.

Inicialmente esse foi seu único objetivo, mas a guerra transformou o homem, já que ele foi testemunha de massacres horripilantes. Esse ambiente negativo e de imensa tristeza, acabou o levando a ser um exemplo de amor a vida, utilizando toda a sua riqueza para salvar (comprar) o máximo de judeu que pode, na famosa lista de Schindler.

A direção dessa história real, inicialmente foi oferecida a Martin Scorsese, que recusou a proposta dizendo que seria melhor que um diretor judeu realizasse o longa, e isso acabou levando a Steven Spielberg, que aceitou o convite logo após filmar E.T., mas somente alguns anos depois é que o filme saiu do papel.

Spielberg não mediu esforços e nem verba para recriar cenários ou filmar em locações reais, tudo para dar o máximo de veracidade ao filme. A própria escolha de filmar em preto e branco reforça essa intenção, já que Spielberg assistiu desde bem novinho documentários em preto e branco sobre o tema e achou que assim daria ao longa um tom mais documental, a própria câmera sem o uso do tripé em alguns momentos conferem mais clareza a essa sua intenção.

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Apesar desse fato triste da história mundial ser facilmente ligado a algo mais frio e rude, Spielberg não abandonou suas características e o tom emocional acompanha todo o arco dramático do filme, sem cair no piegas ou forçado, já que o roteiro de Steven Zaillian se baseou nos relatos do sobreviventes para desenvolver a trama e Spielberg buscou ser o mais fiel a cada detalhe.

A escolha emocional pode ser questionável para alguns, mas é inevitável como consegue tocar fundo no coração de quem assiste ao longa, o próprio exemplo da garotinha vestida com uma roupa vermelha que se encontra perdida diante daquele cenário de guerra. Ela sendo a única com cor na tela, confere a personagem um lenta de aumento e um registro que inevitavelmente queremos saber o que vai acontecer com ela, nos apegamos facilmente a garotinha que infelizmente tem seu destino triste diante dos nossos olhos.

Spielberg estava inspiradíssimo, e sua câmera é pura elegância durante a filmagem da história, a fotografia de Janusz Kaminski é outra obra prima que sabe utilizada do jogo de sombras para ajudar na narrativa.

E não só Spielberg e o fotografo que estavam inspirados, a grande história parece ter arrebatado toda a equipe e tudo é impecável no longa. Um exemplo é a edição precisa que consegue mesmo com um filme de mais de 3 horas de duração manter o bom ritmo do começo ao fim, não notamos o tempo passar, somos completamente hipnotizados pelos acontecimentos que estamos presenciando, e não é só isso, somos facilmente tocados pelos relatos que infelizmente sabemos que são reais.

Além disso não se pode esquecer do elenco formidável que Spielberg tinha em mãos, sem dúvida três se destacam entre eles, Ben Kingsley, incrível no papel de Itzhak Stern, Ralph Fiennes como Amon Goeth também é genial, sua composição desse vilão é brutamente impecável, mas Liam Neeson teve o papel de sua vida e soube aproveitar para brilhar como Oskar Schindler, a sua cena final é daquelas que fica guardada na memória de quem assiste por muito tempo.

E por falar nisso, alguns dizem que o filme carece de uma cena emblemática, mas ao meu ver Spielberg nunca buscou isso, já que para ele o próprio longa por si só já era emblemático (que eu faço coro).

A Lista de Schindler, é o que podemos considerar a obra definitiva sobre esse período triste da humanidade, um relato dos legados deixados para servir de exemplo para que a humanidade nunca mais viva momentos de tanta tristeza e brutalidade.

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PRÊMIOS

OSCAR
Ganhou: Melhor Filme, Melhor Diretor (Steven Spielberg), Melhor Roteiro Adaptado (Steven Zaillian), Melhor Fotografia (Janusz Kamiński), Melhor Direção de Arte, Melhor Edição (Michael Kahn) e Melhor Trilha Sonora Original (John Williams)
Indicações: Melhor Ator (Liam Neeson), Melhor Ator Coadjuvante (Ralph Fiennes), Melhor Figurino, Melhor Som e Melhor Maquiagem

GLOBO DE OURO
Ganhou: Melhor Filme – Drama, Melhor Diretor – Steven Spielberg e Melhor Roteiro
Indicações: Melhor Ator – Drama – Liam Neeson, Melhor Ator Coadjuvante – Ralph Fiennes e Melhor Trilha Sonora Original – John Williams

BAFTA
Ganhou: Melhor Filme, Melhor Direção – Steven Spielberg, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Ator Coadjuvante – Ralph Fiennes, Melhor Fotografia, Melhor Edição e Melhor Trilha Sonora – John Williams

Indicações: Melhor Ator – Liam Neeson, Melhor Ator Coadjuvante – Ben Kingsley, Melhor Figurino, Melhor Som, Melhor Maquiagem e Melhor Direção de Arte

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1 Comentário

  1. Safira Ferreira

    Gostei muito da crítica! Amo filmes com essa temática e creio que esse é um DOS mais tocantes pra mim. Ótimo filme!!!