CARROSSEL 2 – O SUMIÇO DE MARIA JOAQUINA (Crítica)

Kadu Silva

Um sumiço do amadurecimento

Ano passado foi lançado nacionalmente Carrossel o filme e contrariando todas as expectativas (por não ser produto da Globo Filmes) o longa foi um enorme sucesso, levando mais de 2 milhões e meio de pessoas aos cinemas. E logico que esse sucesso despertou o interesse de explorar esse nicho muito carente do cinema nacional e Carrossel 2 já chega aos cinemas (um ano depois) querendo repetir o êxito.

Nessa sequência os alunos da Escola Mundial se tornaram sucesso na internet com o clipe PanáPaná e a estrela da música brasileira Didi Mel (Miá Mello), amiga de infância da professora Helena (Rosanne Mulholland) convida a turminha para fazer um show com ela, no entanto o que seria uma grande diversão, acaba se tornando um enorme problema, já que Maria Joaquina (Larissa Manoela) acaba sendo sequestrada pelos vilões Gonzales (Paulo Miklos) e Gonzalito (Oscar Filho), no dia do show e a turma precisará passar por enormes e complicados desafios para libertar a amiga das mãos dessa dupla maléfica a tempo de fazer a apresentação.

O roteiro de Márcio Alemão Delgado (Os Experientes) perdeu a chance de acompanhar o visível amadurecimento da turma e acaba entregando uma história extremamente infantil (entenda como boba) e cheia de soluções difíceis de engolir, sem contar um previsível desenrolar narrativo. Chega a ser triste notar o desperdício de um ótimo produto ao conferir o resultado final.

Tudo indica que talvez o filme foi realizado às pressas para tentar explorar o sucesso do anterior e faltou revisão no argumento inicial. O desenvolvimento dos desafios que a turma precisa realizar para tentar a liberação da personagem Maria Joaquina, são muitas vezes sem nexo algum, inclusive alguns deles não são realmente concluídos por eles e isso não leva a nada na narrativa do filme.

Algo que vale menção também são os diálogos que não acompanham o linguajar dos pré-adolescente atuais, até Procurando Dory é mais maduro que esse filme. Delgado busca mostrar maturidade somente nos vários beijos na boca (selinho) dos vários casais que tem dentro da turma.

O diretor Mauricio Eça que realizou o bom Carrossel o filme, mantem sua linguagem ágil e solar ao retratar o arco dramático que envolve a turma, o problema é que ele tem em mãos um roteiro que não o ajuda em nada. Eça sabe explorar o colorido e o frescor da juventude e melhor ainda, pega das diversas participações especiais know-how dramático para enriquecer a trama, mas isso não é suficiente para salvar o filme.

No elenco tem alguns atores acima da média, mas o geral, são apenas razoáveis, isso entre os alunos, já entre os adultos, Paulo Miklos (O Invasor) e Oscar Filho (Jogos Clandestinos) acabam, roubando a cena no filme, mesmo fazendo vilões caricatos, a dupla apresenta uma química perfeita e um timing cômico bem adequado para a proposta da película.

Carrossel 2 – O Sumiço de Maria Joaquina tinha tudo para ser um bom filme, mas todo o potencial foi desperdiçado por um roteiro que não soube ousar ao mostrar um amadurecimento latente de seu elenco principal e consequentemente do seu público alvo.

CARROSSEL 2  O SUMICO DE MARIA JOAQUINA

SINOPSE

Famosas por conta do sucesso do clipe de PanáPaná na internet, as crianças chamam a atenção de uma estrela da música brasileira, que decide convidar toda a galera da escola Mundial para um de seus shows. No entanto, o que tinha tudo para ser uma ótima excursão ganha ares de filme de terror quando os vilões Gonzales (Paulo Miklos) e Gonzalito (Oscar Filho), recém-saídos da prisão, decidem sequestrar Maria Joaquina (Larissa Manoela).

DIREÇÃO

[do action=”cast” descricao=”Mauricio Eça” espaco=”br”]Mauricio Eca[/do]

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Márcio Alemão Delgado
Título Original: Carrossel 2 – O Sumiço de Maria Joaquina
Gênero: Aventura, Comédia
Duração: 1h 33min
Ano de lançamento: 2016
Classificação etária: Livre
Lançamento: 14 de julho (Brasil)

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