CÉSAR DEVE MORRER (Crítica)

cartaz-oficial-em-portugues-do-filme-cesar-deve-morrer-vencedor-do-festival-de-berlim-em-2012---poster-oficial-1361903432736_735x1080

A arte como elemento transformador

Os irmos Paolo e Vittorio Taviani experientes cineastas italianos se juntaram para desenvolver um projeto bem audacioso, que seria levar a arte para um presidio de segurança máxima e lá ensaiar um grupo de detentos para encenar um clássico de Shakespeare.

A ideia inicial era acompanhar e registrar tudo, e depois lançar um documentário que mostrasse como a arte é um poderoso instrumento de transformação, no entanto o dia a dia se mostrou muito mais poderoso que eles imaginavam e o filme se transformou numa ficção documental.

As várias horas de filmagens propuseram para os diretores transformarem os ensaios para a encenação da obra numa história, já que o texto “Júlio César” em certos momentos refletia muito a história daqueles homens, sem contar que o cenário que é o presidio, se mostrou perfeito para a encenação.

Mas isso também para alguns se mostra como problema, já que tudo ficou fortemente encenado e a ideia de documentário perdeu totalmente a força, mas muitos esquecem que é um ensaio, e isso é normal, o estranho seria se fosse ao contrário. O que senti falta foi de mostrar mais momentos dos atores relaxados sem a concentração completa do ensaio, fora isso a ideia é muito coerente com que está sendo mostrado.

Mas os irmãos Taviani sabem muito bem o que querem, e utilizam todas as simbologias tanto da arte em si como do estado dos homens que participam do projeto. A prova disso é a escolha genial da cor e do preto e branco no decorrer da projeção.

CESAR01

E durante muitas passagens em que a arte se mostra imitando a vida, o espectador é tomado de forte emoção, seja numa trilha musical que entra no momento certo, ou mesmo em diálogos memoráveis, por exemplo, quando um dos detentos diz – “No momento em que conheci a arte, esta cela se tornou uma prisão.”

O filme foi o escolhido pela Itália para concorrer a uma vaga a melhor filme estrangeiro no Oscar desse ano, mas não ficou entre os finalista, no entanto fez muito sucesso em festivais por onde passou, chegou a ganhar o festival de Berlim que a 21 anos não havia sido ganho por um longa-metragem italiano.

Esse projeto é uma obra arrebatadora que mostra duas coisas importantes, o quanto Shakespeare é de fato um autor popular e atemporal e principalmente a força que a arte tem quando bem utilizada, portanto esse filme meio ficção meio documentário é um registro que merece um olhar atento de todos, mesmo aquele que não são tão fãs de filmes meio teatrais.

E os irmãos Taviani merecem também muitos elogios pela ousadia e pela criatividade de mostrar uma história de um autor tão recorrente nas telonas de uma forma toda original.

DESTAQUE

Para a bela fotografia que conseguiu usar ângulos dentro do presidio que nos dão a impressão que o que vemos é um verdadeiro cenário antigo.

SINOPSE

A peça teatral “Júlio César”, de William Shakespeare, é encenada por um grupo de prisioneiros da prisão de segurança máxima Rebibbia, localizada em Roma. Ao mesmo tempo que funciona como registro documental, trabalha a ficção por trás da trama original. Dirigido pelos irmãos Paolo e Vittorio Taviani e vencedor do Urso de Ouro no Festival de Berlim 2012.

CESAR02

DIREÇÃO

[do action=”cast” descricao=”Paolo Taviani, Vittorio Taviani” espaco=”br”]Paolo Taviani, Vittorio Taviani[/do]

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Paolo Taviani, Vittorio Taviani
Título Original: Cesare Deve Morire
Gênero: Drama
Duração: 1h 16min
Ano de lançamento: Brasil -2013
Classificação etária: Livre

TRAILER

4estrelas

Comente pelo Facebook