DIVÓRCIO (Crítica)

Kadu Silva

Cumpre o que promete!

Ultimamente o que mais se ouve é que as comedia nacionais carecem do pré-requisito básico de uma produção do gênero, que é conseguir fazer o público rir, Divórcio, ainda que não tenha uma grande história, acerta em cheio ao usar do exagero para contar a história da separação de um casal do interior de São Paulo.

Esse casal é Noeli (Camila Morgado) e Júlio (Murilo Benício) que após empreender no ramo de molho de tomate se tornam ricos, e super bem-sucedidos. Mas o tempo os afasta como marido e mulher, e após um incidente banal, resolvem se separar, é nesse momento que ambos contratam os melhores advogados para defender o patrimônio da família e se inicia assim, uma árdua disputa judicial.

O roteiro de Paulo Cursino (De Pernas pro Ar) é extremamente clichê, previsível e o pior subestima a inteligente do público se tornando autoexplicativo em diversos momentos, no entanto, ele supera tudo isso com um texto inteligente e muito engraçado, que soube usar o universo do sertanejo universitário, muito em alta hoje em dia, para narra a história. Ele conseguiu retratar o caipira paulista de forma muito fiel, uma pena que o tom caipira no terceiro ato perde um pouco a força. O interessante de colocar esse universo na telona é a ampliação de temática e locações para o nosso cinema, mostrando a diversidade cultural que o pais possui e que precisa ser explorado nas produções cinematográficas, Brasil a fora.

DIVÓRCIO (Crítica)

Pedro Amorim (Mato Sem Cachorro), com esse enredo (caipira pop) em mãos, opta por usar o tom pastelão e de cores fortes para narrar o filme, sem deixar de lado sua marca registrada: o ritmo da trilha sonora que é primorosa para dar ao filme o envolvimento do começo ao fim. E o interessante que aqui ele mostra ousadia e criatividade ao ousar na escolha sonora, o rock, por incrível que pareça domina a narrativa e caiu como uma luva no universo sertanejo, e isso, se dúvida é o maior dos acertos do filme.

Amorim também mostra destreza ao usar de simbologias em sua direção, ainda que ele tenha um roteiro previsível para trabalhar. Ele conseguiu colocar sua assinatura criativa em muitos momentos, elevando a produção para um nível superior as demais comedias que chegam em nosso circuito comercial aos rodos.

O outro marcante acerto é na escolha do elenco, grandes atores que se desconstroem em cena para elevar o tom cômico de seus personagens, o grande destaque é Camila Morgado (Olga), que mesmo com sua elegância natural, não tem pudor em mostrar um lado caipira e desajeitada em cena, é dela as melhores e mais divertidas piadas.

Merece menção ainda a bela fotografia rural de Ribeirão Preto, a montagem ágil que consegue prender a atenção na história, além da já citada excepcional trilha sonora.

Divórcio, cumpre o principal requisito de uma boa comedia, que é fazer o espectador rir, além disso, ainda que tenha exageros (propositais) no tom dos personagens, muitos espectadores (certamente) se verão representados na telona.

Pôster de divulgação: DIVÓRCIO

Pôster de divulgação: DIVÓRCIO

SINOPSE

O casal Noeli (Camila Morgado) e Júlio (Murilo Benício) leva uma vida humilde, até que os dois ficam ricos depois de criar um molho de tomate que virou sucesso nacional. Com o passar dos anos os dois vão se distanciando e um incidente é a gota d’água para a separação. Enquanto vão em busca do melhor advogado para defender o patrimônio, os dois se envolvem num processo de divórcio complicado.

DIREÇÃO

[do action=”cast” descricao=”Pedro Amorim” espaco=”br”]Pedro Amorim[/do]

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Paulo Cursino
Título Original: Divórcio
Gênero: Comédia, Romance
Duração: 1h 50min
Classificação etária: 12 Anos
Lançamento: 21 de setembro de 2017 (Brasil)

Comente pelo Facebook