EDWARD MÃOS DE TESOURA (Crítica)

EDWARD MAOS DE TESOURA

FICHA TÉCNICA

Título Original: Edward Scissorhands
Ano do lançamento: 1990
Produção: EUA
Gênero: Drama, Fantasia, Romance
Direção: Tim Burton
Roteiro: Caroline Thompson, Tim Burton

Sinopse: Peg Boggs (Dianne Wiest) é uma vendedora da Avon que acidentalmente descobre Edward (Johnny Depp), um jovem que mora sozinho em um castelo no topo de uma montanha e que na verdade foi criado por um inventor (Vincent Price), que morreu antes de dar mãos ao estranho ser, que possui apenas enormes lâminas no lugar delas. Isto o impede de poder se aproximar dos humanos, a não ser para criar revolucionários cortes de cabelos, mas ele dá vazão à sua solidão interior ao podar a vegetação em forma de figuras ou esculpir lindas imagens no gelo. No entanto, Edward é vítima da sua inocência e, se é amado por uns, é perseguido e usado por outros.

Por Kadu Silva

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Tim Burton ainda na infância em Burbank, Califórnia tinha como habito se divertir em um cemitério próximo de sua casa, o cineasta declarou que era um verdadeiro parque de diversão passar as tardes por lá. Outro costume que Burton tinha mais jovem era assistir todos os filmes B de terror que surgia em especial os de Roger Corman e os de vampiro da produtora inglesa Hammer, seu ídolo na época era o ator Vincent Price um especialista em criar vilões sinistros. Ainda em sua infância Burton começou a desenhar e até ganhou um concurso em sua cidade natal. Mas foi aos 12 anos que o lado cineasta começou a tomar conta de Burton e foi nessa época que ele filmou seu primeiro filme em super-8 e adivinha qual era o tema? Um natal sinistro – Burton utilizou árvores de natal para criar monstros assustares, o garoto Burton se envolveu tanto pelo projeto que acabou sofrendo com constantes pesadelos. Já no colegial fez outro filme em super-8 baseado em um livro sobre o mágico Houdini e usou a obra como exame final de ano, resultado nota A. Esse incentivo foi o que levou Tim Burton a correr atrás do sonho de se tornar um diretor de cinema.

E por que estou citando essas coisas? Porque Burton fez tudo isso, mas seus pais e a vizinha onde ele morava o considerava esquisito, diferente, mas isso nunca o deixou desistir de suas convicções.

Apesar de nunca admitir, Edward Mãos De Tesoura é um claro autorretrato de sua vida, um garoto sensível, mas com hábitos diferente, que não se enquadrava nos padrões da sociedade, esse é Edward, esse é Tim Burton.

No longa conhecemos Peg (Dianne Wiest) uma vendedora de Avon, que por não conseguir novos clientes resolve expandir seus contatos, então resolve visitar o castelo no alto de uma colina, chegando ao castelo encontra um jardim maravilhoso e acaba conhecendo Edward um jovem tímido, assustado, que tem ao invés das mãos, tesouras, já que seu criador não conseguiu acabar sua criação, por ter morrido antes. Peg então se encanta pelo rapaz e o convida para ir para sua casa, lá Edward aos poucos vai se sentindo a vontade e acaba ficando, e a vizinha começa a comentar do novo hospede da família Wiest, mas logo o jovem começa a mostrar seus dotes com a mão de tesoura, transformando o jardins de todas as casas do bairros, e logo após os pelos dos cachorros e ainda os penteados das mulheres. Tudo estava indo bem até que a filha do casal que o acolheu volta de viagem. Kim (Winona Ryder) desperta em Edward um encantamento, mas seu namorado Jim (Anthony Michael Hall) não gosta nada disso e transforma a vida de Edward num verdadeiro inferno.

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Tim Burton então cria uma fábula mágica e encantadora, mas que carrega uma forte critica social. Ele utiliza o contrate de cores do bairro com o castelo como forma de mostrar o abismo que divide os dois. No bairro tudo é colorido em tons pasteis, tudo parece brinquedo, artificial (Burton disse que cresceu em uma cidadezinha muito parecida). Já o castelo é tudo cinza sem vida, mas é iluminado pela presença de Edward. Já aqui Burton critica a sociedade americana que maquia seus hábitos, com grande hipócrita já que os mesmo que apontam os erros os fazem pior.

Burton até a metade do filme realiza todo o filme em tomadas diurnas, no subúrbio com suas linhas retas e cores fortes, os jardins que ganham vida com as esculturas feitas por Edward, até que na segunda metade até o final o que predomina são sequencia noturnas mostrando a rejeição da sociedade e a figura de Edward sendo denegrida por uma serie de acontecimentos involuntários, até o banimento definitivo por parte dos moradores.

Além disso Edward representa o rito de passagem da adolescência para vida adulta – existe por parte dele a tentativa de se adaptar fora de casa, no mundo que não representa seu verdadeiro estado de espírito, mas onde ele procura ser feliz, como todo adolescente que não sabe lidar com as constantes mudanças tanto físicas como emocionais a mão de tesoura representa essa dificuldade em lidar com tudo isso, já que ele, mesmo querendo não pode tocar no que gosta sem causar cicatrizes ou mesmo destruir, a única forma é conhecendo seus limites.

Vale destacar a direção de arte que é genial – ela se dividiu em construções de cenários e locações perfeitas. O bairro do subúrbio é real, somente o interior do castelo e o interior das casas foram construídos. Outro excelente destaque é a trilha sonora de Danny Elfman sombria e irônica na medida certa. Ainda vale registro para os diálogos repleto de humor negro, perfeitamente pensando por Tim Burton.

E esse filme ainda apresenta uma das cenas mais belas do cinema, quando Edward esculpe um anjo numa pedra de gelo e Kim ao cair dos flocos de neve dança e entra num estado de magia, a trilha sonora e contemplação dos atores deixam o momento único e repleto de pura poesia visual.

Tudo nesse filme é de uma precisão incrível, mesmo o roteiro sendo dividido entre Tim Burton e Caroline Thompson, é uma clara forma que o diretor utilizou para empregar de vez sua marca estética e ainda assim passar a mensagem de revolta de como a sociedade pode ser cruel em julgar sem ter o real conhecimento dos fatos. E Tim Burton após ter o gigante sucesso no filme Batman ganhou da Fox Filmes carta branca para realizar o filme sem nenhuma interferência, por isso é o filme mais autoral e talvez seu mais encantador e mágico projeto.

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PRÊMIOS

OSCAR
Indicação: Melhor Maquiagem

GLOBO DE OURO
Indicação: Melhor Ator – Comedia/Musical – Johnny Deep

BAFTA
Ganhou: Melhor desenho de produção

Indicações: Melhor Figurino, Melhor Maquiagem, Melhores efeitos especiais

TRAILER

5estrelas

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