Eu só posso imaginar (Crítica)

Kadu Silva

Melodrama musical!

O mercado fonográfico dos Estados Unidos tem hoje em dia uma particularidade em relação a de muitos outros países, que é a presença grandes de canções gospels junto das demais canções não cristãs, e isso se tornou forte nos anos 80 quando Bart Millard escreveu a canção “I Can Only Imagine”, rompendo todas as barreiras e se tornando a mais tocada em todas as rádios dos EUA e a história desse cantor que teve uma infância e adolescência muito sofrida ganha uma cinebiografia repleta de drama e emoção no filme Eu Só Posso Imaginar.

Bart Millard é vivido pelo estreante J. Michael Finley, que desde criança sempre foi encantado pelo poder da música, principalmente as de temas cristãos, mas seu pai um ex-atleta de futebol americano sonhava para o filho a carreira de jogador, por ambos terem ideais diferentes, o relacionamento entre eles foi sempre conturbado. Todo esse trauma dele com seu pai serviu de inspiração para sua mais famosa canção, “I Can Only Imagine”.

O roteiro de Jon Erwin (Procura-se o Amor) e Brent McCorkle (Unconditional) segue a linha clássica de filmes de autoajuda, de um perdedor cheio de traumas durante uma grande parte da vida e em determinado momento chega à vitória tão sonhada, no entanto a cartilha é ainda mais acentuada quando os diretores utilizam diversos clichês e soluções previsíveis para tornar tudo ainda mais piegas, sem esquecer o melodrama que por si só já seria natural devida a história triste do cantor.

Eu só posso imaginar (Crítica)

O que acaba conseguindo tornar suportável a obra é o uso da música como inspiração da trajetória do artista e pela atuação brilhante de Dennis Quaid (O Dia depois de Amanhã), que devido ao fraquíssimo elenco se sobressai de forma exuberante sempre que está em cena.

É exatamente pelo poder da música dentro da trama que acaba tornando o filme amplo para o grande público, mesmo os nãos cristãos. Ainda assim, o filme sugere um final apoteótico com a exibição da música que regi toda a narrativa, mas o que vemos é uma manipulação exagerada na emoção do espectador, que certamente deve cair no choro. Faltou um cuidado especial na sutileza ou mesmo do uso real do poder da música como ferramenta de gerar a emoção natural que o momento deseja (infelizmente).

Não se pode negar que existe um carisma envolvido no arco dramático, tanto pelo poder da música como por trazer a mensagem de superação, e mesmo com tantos deslizes no uso exagerado de melodrama ou soluções clichês o filme tem tudo para se tornar uma obra bem querida do grande público.

Pôster de divulgação: Eu só posso imaginar

Pôster de divulgação: Eu só posso imaginar

SINOPSE

Bart Millard (J. Michael Finley) é o vocalista da banda cristã MercyMe e tem um relacionamento conturbado com seu pai, que sempre o tratou de maneira dura e nunca entendeu seu amor pela música. Conseguindo forças através de Deus, Bart resolve então eternizar sua relação em uma canção, “I Can Only Imagine”.

DIREÇÃO

Andrew Erwin, Jon Erwin

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Jon Erwin, Brent McCorkle
Título Original: I Can Only Imagine
Gênero: Drama, Biografia
Duração: 1h 50min
Classificação etária: 12 Anos
Lançamento: 31 de maio de 2018 (Brasil)

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