FUTURO JUNHO (Crítica)

Kadu Silva

Um documentário “artificial”

De modo geral documentário é um filme não-ficcional que se caracteriza em mostrar a realidade sem auxilio direto do diretor nos acontecimentos retratados. A cineasta Maria Augusta Ramos (Rio Um Dia em Agosto), ainda que de fato faça de seu novo filme, Futuro Junho, um documentário, acaba interferindo no que é mostrado e isso tira a grandeza da obra.

O filme narra o dia-a-dia de quatro trabalhadores na cidade de São Paulo semanas antes da estreia da Copa do Mundo de 2014, cada um de classe social distinta, mostrando assim como o ambiente social e político interfere na vida deles.

Com esses quatro personagens centrais Ramos tenta mostrar diversos problemas que envolvem o cotidiano do paulistano e consequentemente do brasileiro. É um olhar macro já que ela acaba levando sua discussão para o lado político, econômico, cultural, social e até artístico, o grande problema como já citado é que em determinados momentos a diretora direciona os personagens para falar sobre o que ela quer e isso torna o debate artificial, como por exemplo quando um peão da fábrica de carros discute na mesa de café com a esposa e a filha sobre a concorrência dos produtos importados, falta naturalidade ali. Fica evidente que tal interferência se deu para uma melhor leitura do filme, mas ai a obra cai no didatismo desnecessário.

Sem dúvida o que torna o filme melhor ao assistir é sua montagem que sabe mesclar discursos econômicos (“chatos”) com uma conversa descontraída entre motoboys, dando leveza para a narrativa.

Apesar dos problemas citados, o filme consegue através de cenas cotidianas humanizar temas complexos o que acaba gerando identificação com o público e sua projeção flui tranquila e até prazerosa.

Em resumo Futuro Junho é uma obra com ótimas ideias, momentos memoráveis, mas que acabou inchando o discurso e deslizando um pouco no uso da técnica, mas sem dúvida, vale como objetivo de reflexão.

FUTURO JUNHO

SINOPSE

Anderson, metalúrgico; Alex, motoboy; André, analista financeiro; outro Alex, metroviário: quatro homens seguidos em seu dia a dia, semanas antes da abertura da Copa do Mundo de 2014. Em seu sétimo documentário, a cineasta Maria Augusta Ramos estrutura uma visão múltipla sobre a rotina de algumas pessoas em São Paulo às vésperas do mais aguardado evento esportivo do mundo.

DIREÇÃO

[do action=”cast” descricao=”Maria Augusta Ramos” espaco=”br”]Maria Augusta Ramos[/do]

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Maria Augusta Ramos
Título Original: Futuro Junho
Gênero: Documentário
Duração: 1h 40min
Ano de lançamento: 2016
Classificação etária: 12 Anos
Lançamento: 30 de junho (Brasil)

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