Intimidade entre Estranhos (Crítica)

Kadu Silva

Carência afetiva sem máscaras

Certamente uma das causas de diversas problemas do ser humano é a falta de carinho e atenção, tanto é que a depressão é uma das doenças silenciosas que mais mata o ser humano no mundo todo. José Alvarenga Jr. (Divã), faz um estudo intimista de três personagens que vivem ou viveram com ela e como o afeto foi responsável por tirar essas pessoas desse grave problema.

No filme Maria (Rafaela Mandelli) acaba de se mudar para o Rio de Janeiro, com o objetivo de acompanhar seu namorado Pedro (Milhem Cortaz), que será protagonista de uma série bíblica. Eles alugam um apartamento, onde o sindico do prédio é o jovem Horácio (Gabriel Contente), que se mostra extremamente rigoroso com as regras do condomínio. No início Maria bate de frente com o rapaz, mas aos poucos se aproxima intimamente do vizinho.

O roteiro de Alvarenga escolhe o caminho da narrativa minuciosa para construir seu arco dramático, já que cada um dos personagens é apresentado com profundidade e aos poucos vemos que todos são ou tiveram em algum momento uma fragilidade emocional grande. Dessa forma, cada ação desses personagens é intensificada, criando uma intimidade com o espectador e uma empatia clara com cada atitude, mesmo aquelas que talvez, não seja a que mais se torça para acontecer.

Intimidade entre Estranhos (Crítica)

Alvarenga nos coloca de voyeur da relação intima desses personagens e assim releva como o ser humano por mais duro que aparenta ser, pode ter o seu lado delicado. Nesse quesito o elenco acaba dando um show à parte, os três se desconstroem diante da câmera de forma muito visceral, Milhem Cortaz (Tropa de Elite), é um homem bronco, até meio rude, mas é tão carente de afeto que acaba se encantando até por sua amiga de trabalho, simplesmente porque ela o trata com carinho, Rafaela Mandelli (Reis e Ratos), é uma mulher de sucesso, forte e criativa, mas ao se deparar com traumas do passado chora e se fragiliza como um criança, e o estreante Gabriel Contente é a grande surpresa, uma interpretação brilhante, ele apresenta um garoto marrento, mas que no fundo não passa de um cachorrinho carente implorando por carinho. O interesse que cada uma dessas características é mostrada pelo diretor de forma subjetiva e também de forma clara para dar ainda mais peso para cada uma delas.

Tecnicamente o filme é igualmente competente, a trilha sonora é delicada e compõe a narrativa de forma muito interessante, a direção de arte é muito precisa, sabendo aproveitar de poucos cenários ao máximo para dar volume estético para a trama, principalmente quando as filmagens se passam no terraço do prédio, onde a fotografia mostra ainda mais o quesito de solidão dos personagens.

Intimidade entre Estranho é um eficaz estudo sobre as fragilidades (muito comum) do ser humano.

Pôster de divulgação: Intimidade entre Estranhos

Pôster de divulgação: Intimidade entre Estranhos

SINOPSE

Maria (Rafaela Mandelli) acaba de se mudar para o Rio de Janeiro, com o objetivo de acompanhar Pedro (Milhem Cortaz), seu namorado, que será um dos protagonistas de uma minissérie bíblica sobre Noé. Por mais que seja carioca, o retorno da cidade não a agrada devido às lembranças que tem com o pai, já falecido. O casal se muda para um prédio cujo síndico é o jovem Horácio (Gabriel Contente), que é bem rigoroso com as regras do local. De início Maria bate de frente com ele, mas aos poucos se aproxima ao vizinho.

DIREÇÃO

José Alvarenga Jr. José Alvarenga Jr.

FICHA TÉCNICA

Roteiro: José Alvarenga Jr.
Título Original: Intimidade entre Estranhos
Gênero: Drama
Duração: 1h 51min
Classificação etária: 14 anos
Lançamento: 13 de dezembro de 2018 (Brasil)

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