MÃE! (Crítica)

Kadu Silva

Provocação?

“Mãe!” é sem dúvida um dos filmes mais difíceis de analisar esse ano, por dois motivos, primeiro por que a trama é repleta de mistério, dificultando uma delimitação em palavras, sem soltar spoliers e por que a construção de Aronofsky é realizada por uma série de simbologias que numa única vez assistindo o filme se torna quase impossível de absorver tudo.

A trama até aonde se pode falar é: sobre um casal que vê seu relacionamento testado quando pessoas não convidadas surgem em sua residência acabando com a tranquilidade que reinava ali.

O roteiro do também diretor Darren Aronofsky (Cisne Negro), é talvez o mais indigesto de sua filmografia, porque tem uma leitura em primeiro plano não muito orgânica nessa história de mistério que envolve o casal protagonista, mas em suas camadas mais profundas, apresenta um tom provocador impressionante, ao mesmo tempo tudo é muito fácil se você tiver uma bagagem intelectual básica, toda a alegoria narrativa de Aronofsky usa para narra a trama soa até exagerada diante da real história ali contada.

É fato que o filme pode ser lido de diversas formas, principalmente por que o diretor usa e abusa da linguagem simbólica em sua construção narrativa, mas ainda que exagerada em determinados momentos, como já foi citado, o uso se torna aceitável pelo clima claustrofóbico e de tensão constante que ele escolheu para sua direção.

MÃE! (Crítica)

Aronofsky mais uma vez mostra porque é considerado por muitos como um gênio na construção do clima de um filme, não existe uma trilha sonora presente, o ritmo de edificação de tensão se dá pelos sonos naturais, da campainha, da batida de porta, através dos gritos, a montagem que foca na expressão angustiada de Jennifer Lawrence (Jogos Vorazes), tudo leva o espectador a sair da sua zona de conforto e se tornar desconfortável diante tudo, algo proposital, que fique bem claro, com isso o diretor consegue deixar a plateia sempre em alerta, algo fundamental, já que tudo que se apresenta durante a projeção é importante para a mensagem final da história.

O elenco se sai muito bem, de forma geral, já que eles também, de certa forma estão representando símbolos mais que personagens, nenhum tem um nome revelado, mas pela sua memória pessoal será possível fazer conexão com que você (leitor) já sabe deles, enfim, não tem como aprofundar para não soltar spoilers.

Mãe! ainda que seja exuberante tecnicamente, não consegue dizer com clareza a mensagem do diretor ao tocar no tema apresentado. (Tenho para mim que é uma forma de criticar muitas instituições e pessoas mundo a fora).

Pôster de divulgação: MÃE!

Pôster de divulgação: MÃE!

SINOPSE

Um casal tem o relacionamento testado quando pessoas não convidadas surgem em sua residência acabando com a tranquilidade reinante.

DIREÇÃO

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FICHA TÉCNICA

Roteiro: Darren Aronofsky
Título Original: Mother!
Gênero: Suspense
Duração: 2h 2min
Classificação etária: 16 Anos
Lançamento: 21 de setembro de 2017 (Brasil)

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