MILAGRES DO PARAÍSO (Crítica)

Kadu Silva

Basta acreditar ou se emocionar!

O cinema, para quem acompanha mais de perto, costuma em determinados períodos, ter fases, com temas que acabam se tornando recorrentes. A pouco tempo houve a fase de filmes espíritas, depois dos baseados em fatos reais, e a atual fase são dos filmes cristãos, não que não havia antes, mas a grande quantidade de filmes assim ultimamente, chama atenção, o mais recente e com um elenco bem conhecido é Milagres do Paraíso, que além de ser cristãos é baseado numa história real.

A história é de Annabel (Kylie Rogers), uma garota, que não pode ter uma infância normal devido a sérios problemas digestivos. No entanto ao brincar com suas irmãs, Annabel cai de cabeça dentro de uma árvore oca, e ao acordar, descobre que está curada, da doença diagnostica como incurável.

O roteiro de Randy Brown (Curvas da Vida) foi baseado no romance “Three Miracles From Heaven”, de Christy Beam, e ainda que tenha a intenção de manipular sua emoção e ser extremamente melodramático, consegue retratar muito bem o desespero de uma mãe em busca de alento para sua filha doente. Além disso, ele apresenta várias pontas, que são muito bem amaradas ao longa da projeção.

Ano passado eu tive um sério problema de saúde e notei o quanto é doloroso para os pais ver um filho doente, e através dessa história relembrei o estado emocional debilitado que meus pais ficaram ao me ver enfermo. O retrato é exatamente como apresentado no filme.

A diretora Patricia Riggen (Os 33), ainda que tenha pesado a mão no teor emocional da trama, conseguiu criar uma atmosfera lírica para que o momento do milagre tivesse o caráter místico e impactante que a história pedia. Sou maior defeito foi que algumas de suas escolhas caíram nos clichês do gênero, infelizmente.

Com alguns rostos conhecidos como Jennifer Garner (Clube de Compras Dallas) e Queen Latifah (Canção do Coração), o elenco talvez seja o grande acerto do filme, conseguindo mesmo no melodrama elevado, não deixar cair no dramalhão piegas. As duas junto com a atriz mirim Kylie Rogers (Pais & Filhas) são os grandes destaques, Garner, fazendo uma mãe desesperada por tentar a cura de sua filha, está perfeita, Latifah, iluminada toda vez que está em cena, impossível não ficar com um sorriso no rosto a cada momento seu no longa, e a garota Rogers com uma voz forte e decidida, dá a personagem uma credibilidade mesmo diante do milagre, que ali ocorre.

Vale mencionar a trilha sonora de Carlo Siliatto, repleta de canções gospels, perfeitas para edificar ainda mais o teor emocional da narrativa.

Milagres no Paraíso mesmo elevando o drama, consegue apresentar um filme que não quer dogmatizar o espectador e sim emociona-lo. Basta estar disposto a isso.

MILAGRES DO PARAISO

SINOPSE

Annabel passou grande parte de sua infância sem poder levar uma vida normal, devido a um grave problema digestivo. Certo dia, quando tem a oportunidade de sair para brincar com suas irmãs,ela cai e bate com a cabeça em uma árvore. No entanto, ela não morre. Voltando a consciência, ela afirma ter visitado o paraíso para, em seguida, descobrir estar curada de sua doença crônica.

DIREÇÃO

[do action=”cast” descricao=”Patricia Riggen” espaco=”br”]Patricia Riggen[/do]

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Randy Brown
Título Original: Miracles From Heaven
Gênero: Drama
Duração: 1h 49min
Ano de lançamento: 2016
Classificação etária: 10 Anos
Lançamento: 21 de abril de 2016 (Brasil)

Comente pelo Facebook

1 Comentário

  1. Tabaré (@GolmarTab)

    O grande diferencial de “Milagres do Paraíso” é não pretender fazer uma lavagem cerebral no espectador. Além disso, o longa é despido de preconceitos e evita lições de moral baratas. Tem uma mensagem singela de crença deísta: ressalta a importância de cada pessoa ter a sua fé, não que existiria uma fé correta (como faz a maioria). A interpretação de Jennifer Garnerr (recém a vi em VIREI UM GATO, inclusive a passarão aqui:http://br.hbomax.tv/movie/TTL604332/Virei-Um-Gato) como Christy é uma das melhores da sua carreira (o que não significa muito). Vive a única personagem formada por camadas, e diversas facetas são exploradas, convencendo sempre com eficácia exemplar na alta carga dramática do papel. Também a infante Kylie Rogers vai bem, mostrando ter sido a escolha certa.