O Animal Cordial (Crítica)

Kadu Silva

Obra-prima nacional de gênero

Um fenômeno atual do cinema no mundo é a utilização do gênero suspense/terror para criar alegorias críticas do momento sócio econômico mundial. A nova obra nacional que entra para esse hall é o exuberante O Animal Cordial, que faz de uma história aparentemente simples um “palanque” para discutir diversos temas importantes.

No filme Inácio (Murilo Benício) é o dono de um restaurante de classe média, que devido a sua postura autoritária comumente entra em atrito com seus colaboradores em especial seu cozinheiro Djair (Irandhir Santos). Na noite que se passa a trama seu estabelecimento é assaltado por Magno (Humberto Carrão) e Nuno (Ariclenes Barroso), dessa forma Inácio e sua garçonete Sara (Luciana Paes) precisaram encontrar meios de controlar a situação e lidar com alguns clientes que ainda se encontra na casa.

O roteiro da também diretora estreante em longas metragens Gabriela Amaral Almeida consegue fazer um filme de suspense com total DNA brasileiro, já que ela cria dentro de uma situação completamente possível, que é um assalto a um estabelecimento, o cenário para desenvolver um clima de tensão e angustia que cresce a cada minuto que a trama avança. Dentro dessa história ela consegue mostrar um retrato de várias figuras comuns dentro da sociedade brasileira e entre esses personagens, diante do seu texto preciso mostrar a hipocrisia que é latente no povo, assim vemos o racismo, a misoginia, homofobia, violência, disputa de poder, e diversos outros males (infelizmente) comuns em nossa cultura.

O Animal Cordial (Crítica)

O interessante é que Gabriela consegue criar todo esse clima e levantar todas essas pautas numa ambiente único que é o restaurante, sem nunca perder a atenção do espectador para a narrativa, algo que Hitchcock fazia com maestria.

Outro ponto de destaque da direção de Gabriela é que ela usa a violência gore apenas como pano de fundo de seu enredo, mesmo tendo muito sangue, tiro e cortes na pele, a relação humana acaba sendo mais aflitiva que as cenas explícitas de violência, algo muito difícil de conseguir chegar.

Obviamente que para um filme onde o personagem e sua entrega é que sustenta a obra, o elenco de O Animal Cordial é exuberante, todos, sem exceção, estão mostrando personagens complexos, cheio de camadas que de alguma forma vai te fazer refletir sobre alguma atitude sua em determinado momento da vida, o grande destaque é Luciana Paes (Uma Quase Dupla), que apresenta uma transformação impressionante ao longo da história, tudo de forma muito orgânica.

O Animal Cordial é uma obra-prima nacional que soube surfar no momento do cinema de gênero onde a alegoria do suspense é apenas o reflexo do que vivemos no nosso dia-a-dia.

Pôster de divulgação: O Animal Cordial

Pôster de divulgação: O Animal Cordial

SINOPSE

São Paulo. Inácio (Murilo Benício) é o dono de um restaurante de classe média, por ele gerenciado com mão de ferro. Tal postura gera atritos com os funcionários, em especial com o cozinheiro Djair (Irandhir Santos). Quando o estabelecimento é assaltado por Magno (Humberto Carrão) e Nuno (Ariclenes Barroso), Inácio e a garçonete Sara (Luciana Paes) precisam encontrar meios para controlar a situação e lidar com os clientes que ainda estão na casa: o solitário Amadeu (Ernani Moraes) e o casal endinheirado Bruno (Jiddu Pinheiro) e Verônica (Camila Morgado).

DIREÇÃO

Gabriela Amaral Almeida Gabriela Amaral Almeida

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Gabriela Amaral Almeida
Título Original: O Animal Cordial
Gênero: Suspense
Duração: 1h 36min
Classificação etária: 18 Anos
Lançamento: 9 de agosto de 2018 (Brasil)

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