O ESCRITOR FANTASMA (Crítica)

O ESCRITOR FANTASMA

4estrelas

FICHA TÉCNICA

Título Original: The Ghost Writer
Ano do lançamento: 2010
Produção: Reino Unido, Alemanha, França
Gênero: Suspense
Direção: Roman Polanski
Roteiro: Robert Harris e Roman Polanski

Sinopse: Adam Lang (Pierce Brosnan) é um ex primeiro ministro britânico, casado com Ruth (Olivia Williams), que vive em semi-exílio em uma ilha no estado do Maine, nos Estados Unidos. Ele tem sido duramente criticado por ter autorizado a prisão e tortura de suspeitos de terrorismo. Paralelamente, Lang trabalha em sua autobiografia, pela qual recebeu US$ 10 milhões antes mesmo de escrevê-la. Quando McCrea, velho amigo de Lang e autor do livro, morre, a editora logo contrata um substituto (Ewan McGregor). Ele será o ghost writer do livro de Lang, sendo enviado para entrevistá-lo e concluir o manuscrito já pronto. Só que, em meio a acusações políticas e suspeitas de que McCrea foi assassinado, o escritor passa a temer por sua própria vida.

Por Kadu Silva

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Encontrar na filmografia dos grandes diretores semelhança com a sua vida pessoal é algo bastante comum, mas Polanski, talvez seja o que mais apresenta isso em seus longas-metragens.

Em O Escritor Fantasma que foi filmado em 2009, fica evidente a referencia sobre o período vivido por Polanski – ele encontrava-se em prisão domiciliar na Suíça, onde ficou até 12 de julho de 2010, nesse período filmou o longa-metragem, e por isso no filme podemos ver o clima de isolamento, os acontecimentos do mundo vistos através da TV (sinal de impotência), e principalmente a leve alfinetada aos EUA (com quem Polanski tem uma “divida” na justiça pela acusação de violentar uma menor de idade), são alguns dos elementos que mostram como um verdadeiro mestre da direção é capaz de dizer muito além da história que está sendo filmada.

A trama do filme é centrada no escritor fantasma (Ewan McGregor), que é contratado para finalizar a biografia do primeiro ministro inglês Adam Lang (Pierce Brosnan), casado com Ruth (Olivia Williams), e que vive em semi-exílio em uma ilha no estado do Maine, nos Estados Unidos. Tudo estava bem para o escritor até que Lang começa a ser acusado de participação em crimes de guerra e piora quando descobre que seu antecessor havia sido encontrado morto em condições suspeitas. Desse período em diante as reviravoltas e o clima de tensão tomam conta dos personagens e principalmente do público, que fica com grande expectativa de conhecer o desfecho da trama de suspense criado pelo diretor.

Como bem pedia a história, Polanski confere um clima de film-noir, com imagens repletas de sombras, a predominância dos tons cinza em praticamente todo o longa, além do clima nublado que são fundamentais para sustentar a tensão e o sufocamento que a trama confere em seu desenrolar.

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O roteiro foi adaptado pelo romancista Robert Harris (a partir de seu próprio livro, The Ghost) mostrando com riqueza de detalhes uma pessoa que vive sobre pressão, mas ao mesmo tempo não encontra caminhos para sair daquele ambiente sufocante. Sua adaptação encontra traços do cinema de Hitchcock tanto no clima de suspense como na forma encontrada, tanto por ele como Polanski em saber o que deve e o que não deve ser mostrado para atiçar a curiosidade do público, tornando a experiência ao assistir esse longa, de mais de 2 horas, um exercício delicioso de acompanhar um mistério e seus acontecimentos com riquezas de detalhes.

Outro elemento fundamental para exalar ainda mais esse clima é a trilha sonora que é do francês Alexandre Desplat, fundamental para sustentar o mistério durante a narrativa.

Para um filme desse nível o elenco bem escolhido se mostra fundamental e Polanski acerta em cheio nesse ponto, Ewan McGregor é o grande destaque do filme, sabendo dosar de forma perfeita os avanços que as reviravoltas apresentam durante o longa. Pierce Brosnan também é eficiente em mostrar como vive uma celebridade em volta das fofocas e em constante assedio da mídia e para completar outro destaque é Olivia Williams que faz a esposa de Pierce, mesmo não sendo o seu melhor desempenho, consegue segurar bem o papel, ainda mais diante do que acontece com a personagem no desfecho da trama.

Se você gosta de suspense e principalmente de uma direção segura e genial esse longa é uma pedida imperdível, eu só havia assistido em seu lançamento e revendo agora para escrever sobre ele, percebo o quanto de detalhes é encontrado em suas várias camadas do roteiro, mostrando que é possível fazer cinema também como forma de protesto ou simplesmente como forma de expressar as angustias e sofrimentos pessoais, mesmo que isso seja de forma velada. Só posso classificá-lo como Imperdível!

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PRÊMIOS

EUROPEAN FILM AWARDS
Ganhou: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator – Ewan McGregor, Melhor Roteiro, Melhor Cenografia, Melhor Trilha Sonora

Indicações: Melhor Edição

CÉSAR
Ganhou: Melhor Diretor, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Trilha Sonora e Melhor Edição

Indicações: Melhor Filme, Melhor Som, Melhor Fotografia e Melhor Direção de Arte

GOYA
Indicação: Melhor Filme Europeu

FESTIVAL DE BERLIM
Ganhou: Melhor Diretor

TRAILER

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