O HOMEM NAS TREVAS (Crítica)

Kadu Silva

Menos é mais

O gênero suspense deve ser um dos estilos cinematográficos que mais tem fãs pelo mundo, já que, em geral, ele consegue com facilidade mexer com o público e o mais interessante é que filmes simples com poucos cenários acabam funcionando ainda melhor para o clima que ele pede. O Homem nas trevas é o claro exemplo disso, com poucos personagens e com praticamente um único cenário a trama se desenvolve num crescente clima de suspense de tirar o espectador da cadeira, ainda que esse clima poderia ser melhor dosado para o filme ser ainda mais impactante.

A história é simples e interessante. São três adolescentes de uma cidade do interior que costumam fazer roubos em casas da vizinhança. Com medo das consequências desses atos, eles decidem fazer o que seria o último assalto, que tudo indicaria seria fácil, já que o dono da casa é cego, mas o plano não sai exatamente como o planejado.

O roteiro do também diretor Fede Alvarez (A Morte do Demônio) que tem em seu currículo diversos produções de terror e suspense busca no minimalismo e na história bem contada dar a plateia a sensação de tensão e o mais interessante, utilizando dos elementos que compõem a história um recurso extra na narrativa, por exemplo, o fato do dono da casa ser cego foi fundamental para uma sequência no escuro entre ele e os adolescentes que invadiram a casa. Um dos problemas do roteiro é que o terceiro ato apresenta vários momentos que pareciam ser o desfecho da trama, o que em determinado momento causa um incomodo a quem está assistindo, outro equívoco é que a hipersensibilidade sensorial do personagem cego não sempre está ativa (mas isso pode se relevar, já que ele está sob o estresse dos acontecimentos).

Assim como acontece no filme Rua Cloverfield, o feminismo ganha força na personagem da atriz Jane Levy que acaba se tornando a dominadora dos fatos, muito bem indicada pelos ângulos do diretor, que faz de forma bem interessante o jogo de câmera com o dominante e o dominado. Ainda sobre a direção do uruguaio Alvarez vale descartar o clima claustrofóbico que ele consegue criar dentro da casa, tudo isso sem a utilização de susto banais para prender a plateia a trama, a história bem contada e até as viradas inesperadas causam a tensão necessária para história.

O elenco é outro ponto positivo da história ainda que não sejam necessariamente tão exigidos, com exceção do veterano Stephen Lang (Avatar), que é cego e precisa a todo custo defender sua casa e seus pertences. Dylan Minnette (Os Suspeitos) que faz o personagem Alex consegue representar muito bem o adolescente que sabe que está errado, mas ainda assim não quer decepcionar a garota que admira, esse conflito interno é muito bem retratado pelo olhar e bem tom de voz acuado que ele define para o papel.

Tecnicamente vale menção a iluminação, a sonoplastia, a própria trilha sonora, a direção de arte e a fotografia que conseguiram captar o clima obscuro da história.

O Homem nas Trevas apesar de alguns exageros na dosagem de alguns elementos é um suspense acima da média no ano, se você gosta do gênero, merece sua atenção.

O HOMEM NAS TREVAS

SINOPSE

Três adolescentes escapam de roubos perfeitamente planejados. Mas, quando eles estão prestes a realizar seu último crime, assaltar a casa de um senhor cego, o jogo muda. Os jovens estão encarcerados e precisam lutar por suas vidas contra um psicopata cheio de segredos.

DIREÇÃO

[do action=”cast” descricao=”Fede Alvarez” espaco=”br”]Fede Alvarez[/do]

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Fede Alvarez
Título Original: Don’t Breathe
Gênero: Suspense
Duração: 1h 40min
Classificação etária: 14 Anos
Lançamento: 8 de setembro de 2016 (Brasil)

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