O SEGREDO DE BROKEBACK MOUNTAIN (Crítica)

O SEGREDO DE BROKEBACK MOUNTAIN

FICHA TÉCNICA

Título Original: Brokeback Mountain
Ano do lançamento: 2006
Produção: EUA
Gênero: Romance, drama
Direção: Ang Lee
Roteiro: Annie Proulx, Diana Ossana e Larry McMurtry

Sinopse: Jack Twist (Jake Gyllenhaal) e Ennie Del Mar (Heath Ledger) são dois jovens que se conhecem no verão de 1963, após serem contratados para cuidar das ovelhas de Joe Aguirre (Randy Quaid) em Brokeback Mountain. Jack deseja ser cowboy e está trabalhando no local pelo 2º ano seguido, enquanto que Ennie pretende se casar com Alma (Michelle Williams) tão logo o verão acabe. Vivendo isolados por semanas, eles se tornam cada vez mais amigos e iniciam um relacionamento amoroso. Ao término do verão cada um segue sua vida, mas o período vivido naquele verão irá marcar suas vidas para sempre.

Por Kadu Silva

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Escrever sobre o maior romance produzido pelo cinema até hoje não é tarefa nada fácil ainda mais por se tratar de um romance homossexual, que mesmo não querendo o ser humano no geral ainda vê tal condição com o olhar de preconceito, tanto é que o filme demorou anos para sair da gaveta por não conseguir financiamento para sua produção. Por isso a maneira encontrada de viabilizar o filme foi roda-lo com menor custo possível, e assim foi feito. Esse é o mais barato longa-metragem de Ang Lee, tirando seu filme de estreia, e é também uma das produções de maior lucro no ano de seu lançamento.

Esse modesto orçamento parece ter levado todos os envolvidos no projeto em buscar o seu melhor dentro das suas criatividades artísticas, por que o que vemos no quesito técnico é uma perfeição rara.

A trama é sobre um jovem peão, extrovertido e brincalhão e um rancheiro, tímido e marcado por dores do passado, que tem suas vidas cruzadas no verão de 1963, quando aceitam o trabalho de levar um rebanho de ovelhas para a montanha de Brokeback. Lá acabam se apaixonando, mostrando que o amor é uma força da natureza.

O brincalhão é Jack (Jake Gyllenhaal) um cara sem grandes pretensões, sua única vontade é aproveitar a vida, já e o reservado é Enis (Heath Ledger) um cara sério que vive em busca de trabalho para juntar dinheiro e poder casar com sua amada Alma (Michelle Williams) esses dois personagens são tão bem apresentados para o público que já nos primeiros minutos nos sentimos íntimos deles, já que a história dos dois surge aos poucos e sem melodramas, é tudo muito natural.

E isso é fundamental para que se crie uma grande empatia com a relação de proximidade que começa a surgir entre eles, mesmo você não sendo homossexual é inegável como aquela paixão “gritante” vai te tocar exatamente pela forma cuidadosa que o roteiro desenvolve isso. Enis e Jack não apresentam os estereótipos já conhecidos do grande público, eles em muitos momentos até parecem não aceitar tal condição, é somente aquela paixão fulminante que é capaz de deixa-los confortável diante a clara forma preconceituosa que a relação gay era vista na época retrata.

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O roteiro com isso consegue minar qualquer antipatia possível para o casal, já que seus medos e angustias são divididos com a plateia o que acaba os aproximando diretamente de quem estiver assistindo.

Outro importante fator a se destacar no roteiro é a forma corajosa de mostrar o amor dos personagens sem mascaras e sem preconceitos, chegando em alguns momentos se revelando meio selvagem, já que fica clara a mensagem que por mais que muitos ainda não entendam a condição homossexual é natural como acontece com muitos animais, plantas, etc etc…

Ainda no roteiro vemos uma clara critica a visão religiosa que existe diante do homossexualismo. O fato de mostrar um casal gay cuidando de ovelhas “próximo” do céu é de uma ironia cortante, já que é de conhecimento geral que na bíblia a ovelha representa os escolhidos de Deus, e exatamente Enis e Jack é que estão no papel do criador na função de cuidar do rebanho. Para mim é como se Deus vendo a pureza daqueles homens concedesse o direito de algo tão significativo. Essa inversão de valor é impressionante, mas pouco notada pela maioria das pessoas.

Vale destacar ainda a mágica e formidável interpretação de Heath Ledger que transforma esse introvertido personagem no grande destaque do filme, visto a sua entrega. Seu cuidado com a voz presa, as expressões faciais e corporais são incríveis, sem contar a forma natural que ele consegue transmitir o envelhecimento do personagem. E não posso deixar de citar a cena mais emocionante da história do cinema que ele realiza, usando apenas seu olhar de saudades e seu carinho no gesto de fechar um botão de camisa (lágrimas) – simplesmente arrepiante!

Ang Lee como é de praxe narra muito bem toda essa história de amor, mas para não ter problema em errar não ousa muito durante a projeção, até porque o roteiro já apresenta uma força que se sustenta sozinho.

Por fim não se pode esquecer da fotografia deslumbrante do filme, da direção de arte e figurinos perfeitos, além da trilha sonora que é simples mas seus acordes ressoam como sendo parte dos personagens. Toda essa parte técnica trabalhou para que o filme fosse arquitetado de forma perfeita e elas se conectam muito bem, mostrando que todos estavam super afinados com a projeto.

Portanto seja você heterossexual ou homossexual essa história de amor vai com certeza te levar as lágrimas, já que sua sensibilidade toca na alma e fica difícil esquecer por um longo tempo como a intolerância e a falta de humanidade da sociedade pode destrói, ou melhor, interromper um amor tão forte e verdadeiro. Se dúvida um filme necessário para quem ama o cinema e para quem quer ser um ser humano melhor.

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PRÊMIOS

OSCAR
Ganhou: Melhor Diretor, Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Trilha Sonora

Indicações: Melhor Filme, Melhor Ator – Heath Ledger, Melhor Ator Coadjuvante – Jake Gyllenhaal, Melhor Atriz Coadjuvante – Michelle Williams e Melhor Fotografia

GLOBO DE OURO
Ganhou: Melhor Filme – Drama, Melhor Diretor, Melhor Roteiro e Melhor Canção Original – “A Love That Will Never Growl Old”

Indicações: Melhor Ator – Drama – Heath Ledger, Melhor Atriz Coadjuvante – Michelle Williams e Melhor Trilha Sonora

BAFTA
Ganhou: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator Coadjuvante – Jake Gyllenhaal e Melhor Roteiro Adaptado

Indicações: Melhor Ator – Heath Ledger, Melhor Atriz Coadjuvante – Michelle Williams, Melhor Trilha Sonora, Melhor Fotografia e Melhor Edição

CÉSAR AWARDS
Indicações: 2007 – Melhor Filme Estrangeiro

INDEPENDENT SPIRIT AWARDS
Ganhou: Melhor Filme e Melhor Diretor

Indicações: Melhor Ator – Heath Ledger e Melhor Atriz Coadjuvante – Michelle Williams

FESTIVAL DE VENEZA
Ganhou: Leão de Ouro

BODIL AWARDS
Indicações: Melhor Filme Americano

SATELLITE AWARDS
Ganhou: Melhor Diretor, Melhor Edição, Melhor Filme Drama e Melhor Trilha Canção Original – “A Love That Will Never Grow Old”.

Indicações: Melhor Ator – Drama – Heath Ledger, Melhor Ator Coajuvante – Jake Gyllenhaal, Melhor Trilha Sonora Original, Gustavo Santaolalla, Melhor Roteiro Adaptado

MTV MOVIE AWARDS
Ganhou: Melhor Performance – Jake Gyllenhaal e Melhor Beijo – Jake Gyllenhaal e Heath Ledger

TRAILER

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