PARA MINHA AMADA MORTA (Crítica)

Kadu Silva

DESAFIANDO A PLATEIA

Sempre que converso sobre cinema com amigos, explico porque alguns filmes são idolatrados pelos críticos e o público nem sempre gosta. O que acontece, é que os críticos acabam assistindo muitos filmes, tornando o seu olhar cansado de ver sempre o mesmo enredo, as mesmas soluções, e ai quando surge algo que sai dessa maré, acaba despertando o encantamento desses profissionais, no entanto com o público os sintomas são inversos, essas mudanças, é algo, que em geral causa estranhamento. Para minha Amada Morta é um desses filmes que consegue fugir do óbvio ao contar uma história super delicada sobre depressão/redenção.

A história acompanha o fotógrafo da polícia Fernando (Fernando Alves Pinto), um homem que entra em profunda depressão após perder sua mulher, e que ainda assim, tenta arranjar forças para cuidar de seu filho ainda pequeno. Numa arrumação nas coisas de sua esposa, ele encontra uma fita VHS com um conteúdo que o faz ter uma grande surpresa, colocando a prova se sua amada morta realmente o amava. É nesse momento que Fernando entra numa obsessiva investigação sobre a real veracidade dessas imagens.

O roteiro do também diretor estreante em longas metragens Aly Muritiba (fortemente premiado em suas produções de curta-metragem como: A Fábrica, A Gente e Pátio) cria uma atmosfera de thriller totalmente original, já que a todo momento a plateia é desafiada, pois o que indica que vai ser uma solução clichê é sempre o inverso. Muritiba, parece fazer de sua narrativa uma peça de um jogo de xadrez, levando o espectador para fora de seu lugar comum e o melhor, ele nunca subestima a inteligência de sua plateia, deixa que os fatos por si só encontrem suas respostas, sem precisar ser didático. Um fato interessante do roteiro é que ao deixar algumas perguntas sem respostas, ele também desafia o espectador a mudar sua postura, já que elas, para a trama central não fazem diferença em serem respondidas.

A própria narrativa lenta e sem atropelos, magistralmente levada pela interpretação do protagonista, Fernando Alves Pinto (2 Coelhos), faz o espectador nunca saber o que vai acontecer em seguida, a todo momento existe uma sensação de algo ruim pode acontecer, mas isso é feito de forma sútil. Algumas cenas de tensão me lembraram o filme A Caça de Thomas Vinterberg, como por exemplo quando Fernando pega a criança no colo com uma faca em punho, é de dar calafrios. E Fernando Alves Pinto com sua expressão quase neutra, reforça essa intenção do diretor.

Tecnicamente o filme também merece notoriedade, o designer de produção, a montagem, a fotografia, todos primorosos, mas sem dúvida, o trabalho de som é o grande acerto, já que ele é fundamental para reforçar o clima de tensão ao longa da narrativa.

Para Minha Amada Morta é um filme que sai do lugar comum ao retratar de forma super delicada a busca por uma redenção, após uma morte que causou muitas mágoas e tristeza na vida de uma pessoa.

PARA MINHA AMADA MORTA

SINOPSE

Após a morte de sua esposa, o fotógrafo Fernando (Fernando Alves Pinto) torna-se um homem calado e introspectivo. Ele vive cercado de objetos pessoais da falecida, até descobrir, em uma fita VHS, uma surpresa que coloca em dúvida o amor da esposa por ele. Fernando decide investigar a verdade por trás destas imagens, desenvolvendo uma obsessão que consome seus dias e sua rotina.

DIREÇÃO

[do action=”cast” descricao=”Aly Muritiba” espaco=”br”]Aly Muritiba[/do]

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Aly Muritiba
Título Original: Para Minha Amada Morta
Gênero: Drama, Suspense
Duração: 1h 45min
Ano de lançamento: 2016
Classificação etária: 14 Anos
Lançamento: 31 de março de 2016 (Brasil)

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