Querida Mamãe (Crítica)

Kadu Silva

Sem foco

É curioso quando vamos analisar algumas obras cinematográficas nacionais e “reclamamos” do formato televisivo empregado no desenvolvimento delas, apesar de ser compreensível devido ao fato da TV ser o veículo que acaba sendo responsável por sustentar os profissionais do meio e assim molda-los pelo tempo em que eles trabalhando por lá, mas TV, cinema e teatro são linguagens distintas e precisam serem pensadas e principalmente elaboradas de forma que se adeque ao formato, tudo isso para dizer que Queria Mamãe tem entre seus principais problemas a falta de adaptação adequada para o formato cinema.

A obra foi escrita por Maria Adelaide Amaral para o teatro, e devido ao sucesso, Jeremias Moreira Filho (O Menino da Porteira), resolveu adapta-la para o cinema. Tinha tudo para ser uma bela adaptação, já que a ideia que envolve a trama é muito interessante, mas…

A trama é sobre Heloísa (Letícia Sabatella), uma médica que sofre de uma infelicidade crônica, acumulando problemas com o marido (Marat Descartes), a mãe (Selma Egrei), e a filha adolescente, além de se sentir inferior a sua irmã Beth. Tudo parecia mudar na vida de Heloísa, quando ela conhece a artista plástica Leda (Cláudia Missura), com quem inicia um romance, mas a rejeição da mãe e da filha com o novo relacionamento, acaba por aprofundar ainda mais o estado de infelicidade de Heloísa.

Querida Mamãe (Crítica)

Pois é, como se vê, o filme tem uma ideia interessante, mas o roteirista e diretor Jeremias não soube filtrar a história e a trama atirando para todos os lados da vida dessa mulher, sem conseguir aprofundar em nenhum deles.

Nota-se que é uma ideia que precisaria de uma continuidade maior como numa série para que cada uma das subtramas conseguisse atingir o objetivo inicial.

O que acaba por fazer o filme não ser ruim é que o elenco consegue superar esses obstáculos de roteiro e entregar performances acima da média, principalmente Letícia Sabatella (Chico Xavier) e Selma Egrei (A Repartição do Tempo), que são as mais exploradas no arco dramático principal.

Outro grande acerto da obra é utilizar as canções que embalam a história como mola narrativa da trama, através da canções, conseguimos compreender o momento e o estado sentimental de alguns personagens, basta para isso, prestar atenção nas letras.

Jeremias tanto em seu texto como na sua condução acaba por ser autoexplicativo demais, o que soa como subestimar a inteligência do espectador, algo recorrente nas novelas brasileiras, que fazem uso disso, porque o público é muito pluralizado, mas no cinema, isso acaba prejudicando no andamento do envolvimento com a história e os personagens, pois tira atenção pela redundância dos fatos.

Querida Mamãe tem no seu DNA uma excelente ideia, mas sua excussão é somente regular, devido a alguns equívocos pontuais.

Pôster de divulgação: Querida Mamãe

Pôster de divulgação: Querida Mamãe

SINOPSE

Heloísa (Letícia Sabatella) é uma médica que sofre de infelicidade crônica, tendo problemas com o marido (Marat Descartes) e a própria mãe (Selma Egrei), a quem constantemente acusa de tê-la preterida pela irmã, Beth. Após se separar do marido, Heloísa conhece no hospital em que trabalha a pintora Leda, que sofreu um acidente de carro. Grata pelo atendimento prestado, Leda deseja pintar um quadro da médica. Inicialmente reticente, ela aceita a proposta e, ao visitar o ateliê, acaba se envolvendo com a pintora. Entretanto, por mais que o novo relacionamento deixe Heloísa bem mais feliz, ela precisa lidar com o preconceito tanto de sua mãe quanto da própria filha.

DIREÇÃO

Jeremias Moreira Filho Jeremias Moreira Filho

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Jeremias Moreira Filho
Título Original: Querida Mamãe
Gênero: Drama
Duração: 1h 35min
Classificação etária: 14 anos
Lançamento: 17 de maio de 2018 (Brasil)

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