ROCK EM CABUL (Crítica)

Kadu Silva

Uma fórmula batida, mas um com subtexto relevante

Ser crítico de cinema, acaba por nós colocar constantemente em contato com obras cinematográficas de diversos formatos e origens, fato que acaba por nós saturar de certas fórmulas repetitivas. Rock em Cabul, ainda que tenha um subtexto pertinente e muito atual, apresenta novamente um homem decadente que busca de redenção em sua profissão e consequentemente em sua vida pessoal. Esse homem é Richie Vance (Bill Murray), um antigo bem-sucedido empresário de estrelas da música, que atualmente amarga um decadente fim de carreira. Ele leva sua última cliente para uma turnê no Afeganistão, mas acaba ficando sem o passaporte, sem dinheiro e sem sua cantora naquela terra hostil, mas eis que o destino lhe reservava uma surpresa ao se deparar com uma voz feminina de uma jovem local, que acabou transformando sua vida e da garota definitivamente.

O roteiro de Mitch Glazer (Os Fantasmas Contra Atacam) foi baseado na surpreendente história real de uma jovem que se tornou a primeira mulher a participar do programa Afghan Star (uma espécie de American Idol local). Uma ruptura de anos, já que ela foi na contramão de todas as tradições locais e chegou até a final do programa. Essa história por si só já renderia um possível belo filme, mas Glazer preferiu usar a trama apenas como parte do arco dramático do protagonista, mas como já citei, usou um formato previsível e clichê, o que acaba por deixar o filme com a sensação de mais do mesmo. Além disso, o longa reafirma a busca dos norte-americanos em globalizar sua cultura, que é fortemente combatida nos países árabes, fato que soou meio forçado (ainda que faça parte da história real). Não se pode deixar de ressaltar a frágil relação amorosa construída entre Richie e a prostituta Merci interpretada por Kate Hudson (Como Perder um Homem em 10 Dias), não tem como acreditar no real sentimento dos personagens e ainda a repetição na escolha de Bruce Willis (Bruce Willis) como o mercenário Bombay Brian.

O diretor Barry Levinson (O Último Ato), se apegou fortemente no carisma e na presença hipnotizante de Bill Murray para contar essa história, e ele realmente dá conta do recado com facilidade, mas nem todo seu talento consegue esconder o déjà vu das escolhas.

Mas o filme tem alguns pontos que merecem aplausos e destaque, a começar pelas locações num território decadente fruto das constantes guerras civis, que acaba sendo uma alegoria do estado de espirito do protagonista (mesmo fazendo parte do contexto, foi uma escolha interessante), tem também a quebra de paradigmas em sintonia com o grito feminista, onde a coragem da personagem Salima interpretada por Leem Lubany (Omar) faz ao romper com as tradições de excluir as mulheres de um programa de talentos musicais, dando a elas o primeiro passo na conquista dos direitos na igualdade de gênero num país tão fechado a inovações. Vale destacar também a trilha sonora maravilhosa, repleta de canções clássicas do rock, principalmente da década de 80.

Rock em Cabul é um filme que poderia ir além se desse para a mais interessante essência da trama o devido destaque, mas no final entrega uma obra razoamento divertida.

ROCK EM CABUL

SINOPSE

Richie Vance (Bill Murray), outrora um bem-sucedido empresário de rockstars, amarga o fim de sua carreira. Ele leva seu último cliente para uma turnê no Afeganistão, mas acaba perdido, sem dinheiro e sem passaporte em Cabul. Por acaso encontra uma jovem de voz extraordinária e decide ajudá-la a vencer a uma competição musical bastante popular na televisão local.

DIREÇÃO

[do action=”cast” descricao=”Barry Levinson” espaco=”br”]Barry Levinson[/do]

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Mitch Glazer
Título Original: Rock The Kasbah
Gênero: Comedia
Duração: 1h 47min
Ano de lançamento: 2016
Classificação etária: 14 Anos
Lançamento: 2 de junho de 2016 (Brasil)

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