RÚCULA COM TOMATE SECO (Crítica)

Kadu Silva

Faltou adaptar!

Adaptar = modificar (algo) para que se acomode, se ajuste ou se adeque (a uma nova situação, um determinado fim, um meio de comunicação etc.). Eis o significado para a palavra que é muito ouvida no cinema, já que vira e mexe os roteiros das obras são fruto de um livro, uma peça de teatro, um conto, enfim. E adaptar se torna fundamental porque são linguagens diferentes. Dito isso, o novo filme do roteirista, diretor, ator, montador e compositor Arthur Vinciprova (Turbulência), erra principalmente nesse quesito, já que Rúcula com Tomate Seco não conseguiu encontrar um formato que se acomode como filme, – a produção é baseada na peça homônima de Vinciprova.

A trama é sobre Pablo (Arthur Vinciprova) e Suzana (Juliana Paiva), um jovem casal classe média que se reencontra depois de sete meses separados e acabam fazendo sua DR num motel barato afim de descobrir quais os motivos levaram ao fim do relacionamento deles.

Por essa sinopse nota-se que se trata de um enredo super clichê, e de fato é, mas esse não é o “problema” do filme, o grande equívoco é que o longa apresenta diálogos banais e previsíveis e a Vinciprova não consegue estabelecer uma narrativa para que a trama se torna de fato um filme, parece aquelas sitcoms norte-americanas com piadas que só os efeitos sonoros riem, e com interpretação marcada demais que parece tudo artificial ao extremo, o típico vicio de uma obra que sai do teatro para uma linguagem cinematográfica.

RÚCULA COM TOMATE SECO (Crítica)

É louvável perceber que o mercado nacional já consegue fazer filmes independentes com certa qualidade, e esse é o grande mérito do filme. Tecnicamente o filme até tem alguns acertos interessantes como: a trilha sonora, a direção de arte, e até o acabamento de montagem, mas infelizmente a qualidade de roteiro torna tudo pouco envolvente.

Juliana Paiva (Desenrola) se esforça ao máximo para entregar um papel descente para sua personagem Suzana, mas os diálogos fracos não conseguem explorar todo o potencial da atriz, principalmente na comedia, da qual ela é muito competente.

Vale ressaltar ainda que o filme carece de retratar os jovens brasileiros de forma real, o casal protagonista tem pouco das características comuns dos jovens da faixa etária da dupla, o que certamente irá dificultar a identificação com os personagens. No entanto, os conflitos do amor são universais e nisso o longa sabe explorar muito bem a linguagem do desejo entre dois pessoas que passam por problemas mesmo um amando o outro e buscam através de uma conversa longa e profunda encontrar um caminho para um final feliz.

Se o filme usasse um casal homoafetivo, (sem estereótipo) para retratar essa história certamente o resultado seria muito mais interessante de acompanhar, principalmente diante do final escolhido pelo diretor.

Rúcula com Tomate Seco merece nossa atenção por ser um filme independente nacional de resultado interessante, mesmo com esses sérios problemas de adaptação.

Pôster de divulgação: RÚCULA COM TOMATE SECO

Pôster de divulgação: RÚCULA COM TOMATE SECO

SINOPSE

Depois de ficarem separados por um tempo, Pablo (Arthur Vinciprova) e Suzana (Juliana Paiva) acabam se reencontrando num motel. É aí que começam a conversar e questionar os motivos que levaram o fim do relacionamento.

DIREÇÃO

[do action=”cast” descricao=”Arthur Vinciprova” espaco=”br”]Arthur Vinciprova[/do]

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Arthur Vinciprova
Título Original: Rúcula com Tomate Seco
Gênero: Comédia Romântica
Duração: 1h 30min
Classificação etária: 14 Anos
Lançamento: 23 de novembro de 2017 (Brasil)

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